sábado, 13 de outubro de 2018

Fantasia e Realidade


Saiu em blu-ray “Fantasia”, o filme de Walt Disney (produtor) feito em 1940. No estojo que está nas lojas também se encontra “Fantasia 2000”, produção de 1999 que dá vez à musica popular (no filme anterior a prioridade são os clássicos).
Lembrei a propósito da revisão de “Fantasia” o que me contou o amigo Waldemar Henrique que frequentava com assiduidade o meu Cine Bandeirante (garagem de casa, na então Av. S. Jeronimo, hoje Gov José Malcher). Waldemar dizia ter conhecido o maestro Leopoldo Stokovsky, quem afinal rege os números musicais da produção, e lembrava de uma feita em que uma jovem da orquestra estava com um decote largo e o maestro dizia: “-Cuidado que eu estou ficando excitado”.
Waldemar também conheceu George Gershwin e se espantava quando via o nome do compositor na ficha de “Sinfonia de Paris”(Na American in Paris) que eu exibia em copia 16mm no mesmo Bandeirante (“-Ah o Gershwin!...”).
No mundo do vídeo, que hoje satisfaz minha fome de cinema, gostei muito de “A Monster Call” no Brasil chamado de “7 Minutos Depois da Meia Noite”. Dirigido pelo espanhol J. A. Bayona. Trata de um menino que conversa com um monstro, ouvindo deste 3 historias em troca de uma que ele, menino, contaria. E na família do garoto pesa a doença da mãe, o pouco contato com o pai, a avó megera e uma governanta nada simpática (papel anômalo de Sigourney Weaver). Uma narração primorosa sem pesar nos costumeiros meandros de filmes sobre psicologia, ganhando ponto na interpretação de Lewis McDougall escocês que na época tinha 12 anos). Passou no canal Max da Sky.
No cinema comercial gostei de “Buscando”(Serching) onde a trama se coloca no computador de uma jovem a quem o pai desconhece embora more junto. Quando ela some, a procura por seu paradeiro é feita por este senhor e uma agente policial mãe de um adolescente problemático. O diretor Aneesh Chaganty não foge da tela do laptop .E  deixa um ritmo ágil, com suspense pouco visto. Tudo funciona.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Sobreviver o Dia da Eleição


O filme “The Purge”(12 Horas Para Sobreviver o Dia da Eleição) ganhou pelo menos duas versões de cinema e uma série de TV. Tudo da cabeça do cineasta James DeMonaco, mostrando que a violência pode ganhar uma noite por ano nos EUA e nesta noite não se considera crime o assassinato. A ideia filmada pode ser vista na Netflix e trata de uma senadora que se mostra contra a franquia do ato violento e por isso é perseguida.
Achei curioso ver o filme no Brasil de hoje. Nos não temos (ainda)o “purge” ou hora de expandir a violência. Mas há um candidato a presidência que prega a “o ataque como defesa” propondo que as pessoas devem andar armadas e atirar em quem assalta pois “bandido bom é bandido morto”. Partindo dessa premissa tudo o mais é modelado pela brutalidade ou desprezo ao comportamento que se tem como civilizado. Noutros termos, é um zero na democracia.
No filme de DeMonaco vê-se dezenas de corpos dependurados em cordas no meio da noite de horror. Por aqui, nos idos de 1964-1985 os corpos não estavam expostos, mas escondidos nos porões dos algozes. Foi um marco na lembrança de quem viveu o período, mas hoje parece esquecido por eleitores de um adepto da força bruta.
“The Purge”, que pode ser visto em casa, não é bom como cinema, mas é um superlativo de ideia malsã que foge do espaço geográfico exposto. Por isso merece ser olhado.








quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Filme Noir


A expressão “film noir” vem do crítico francês Nino Frank que em 1946 achou uma analogia com o que as histórias policiais publicadas pela editora Fallimard chamadas de Série Noir (porque as publicações tinham capa preta e amarela). Na verdade o termo ganhou espaço no cinema quando críticos franceses como Andre Bazin viam liames do expressionismo alemão nos planos em que se reforçava o claro-e-escuro usando filtros amarelos nas lentes da filmagem em preto e branco. Os roteiros eram geralmente histórias de crimes e detetives sarcásticos com expressões caras a atores como Humphrey Bogart.
                Hoje uma editora de DVD publica séries de “filme noir”.Repassa o que Hollywood fez nas décadas de 40 e 50 e já atinge produções francesas do mesmo período(adentrando pelos sessenta).
                Muitos cineastas de filmes B faziam noir. Era a chance de sair dos seriados de aventuras e westerns de 6 rolos (1 hora de projeção).Se deu em muito lixo também deu obras meritórias. E diretores como John Huston e até mesmo Stanley Kubrick andaram pelo mundo noir. Nas coleções para ver em casa há um verdadeiro curso de cinema. Os fãs devem aproveitar. E lembro que artistas criadores como Edgar G.Ulmer andaram por este caminho. Gente que os novos amantes de cinema pouco conhecem. O editor brasileiro é o sr.Oceano da Versátil Home Video. Ele também edita os filmes de terror modestos e alguma coisa da ficção cientifica(ainda há muito a ver desse gênero). Procurem ver.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Terror Universal


Carl Laemmie, nascido na Alemanha, era um imigrante judeu que se estabeleceu nos EUA criando um circuito de cinemas que chamou de Nickelodeon (pois o ingresso custaria um níquel). Com o sucesso do empreendimento, em 1912, em Nova Iorque, ele que já presidia a  Independent Motion Picture Company, associou-se a Pat Powers da Powers Picture Plays, Mark Dintenfass da Champion Films e Bill Swanson da American Éclair, criando um estúdio que chamaram de Universal . A empresa fazia filmes de baixo orçamento endereçados aos Nickelodeons. Mais tarde, Leammie deu de presente ao filho (Leammie Jr) a produção de alguns títulos. O rapaz fez coisas mais pretensiosas como uma série de terror e acabou ganhando um Oscar por “Sem Novidades no Front”. Mas houve sério  prejuízo financeiro e os Leammie venderam o estúdio. Mesmo assim a Universal Pictures prosseguiu e hoje é uma das grandes produtoras & distribuidoras de Hollywood.
            Esta semana o cinema Olympia de Belém vai recordar a série da Universal dedicada ao terror. Clássicos como “Frankenstein” estarão na tela. É bom lembrar que este filme foi dirigido por James Whale afinal a personagem de “Deuses e Monstros”(Gods and Monsters/1998, de Bill Condon com Ian McKellen. Ali se tratava da homossexualidade do cineasta e a sua morte na piscina de sua casa tida como suicídio.
            É importante o estudante de cinema conhecer os “terror Universal” que marcaram uma época. Em Belém havia um cinema chamado Universal, na Cidade Velha, e chegava a usar o logotipo da firma norte-americana. Por ai se tira a popularidade do gênero. Se não deu lucro aos Leammie mesmo assim ganhou a historia de uma arte.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Hannah



“Hannah” é o segundo longa-metragem realizado por Andrea Pallaoro. E ele repousa na atriz Charlotte Rampling. Ela está em quase todos os planos,muitas vezes em close e silencio,tentando sempre dimensionar o drama intimo deixado pela prisão do marido(sem que se explique o motivo) e o desprezo do filho que chega a proibir seu contato com o neto.
            Charlotte é a personagem-titulo e condensa um argumento que não requer muitas elucidações.Lembrei até de Falconetti em ‘”A Paixão de Joana D’Arc” de Dreyer. Só que o campo de ação é mais amplo embora não seja a preocupação do roteiro.
            Um típico filme de atriz.

sábado, 21 de julho de 2018

A Ilha dos Cachorros


  “A Ilha dos Cachorros”(Dog’s Island) é um stop-motion de Wes Anderson ambientado no Japão. Você jura que é um filme japonês, em especial do Estudio Ghibi do mestre Hayao Myiazaki. Trata de um prefeito que bane todos os cães do lugar para uma ilha, incluindo Spot, bichinho de estimação de seu sobrinho Atari. Um dia, este sobrinho cai com seu avião na ilha onde estão os cachorros e ajudado por uma matilha de lá parte em busca de Spot. Nesse meio tom se sabe que o prefeito quer matar toda a bicharada. E começa uma revolta estimada pelo fim do dirigente despótico.
                O desenho quadro a quadro é uma especialidade em que o diretor de “A Vida Marinha de Steve Zissou”reincide. Fez antes “O Fantastico Senhor Raposo”. Mas a nova produção não é só mais criativa como desafiadora na concepção de outra cultura.
                Um filme muito criativo, capaz de agradar não só as crianças (como se pensa quando se trata de desenho animado). Programa diferente neste cardápio de mesmices oferecido pelos cinemas comerciais. Se você for ver e não souber que se trata de uma obra norte-americana vai pegar um susto ao ver o nome do diretor no final. É joia nipônica.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Doador de Memorias


 “O Doador de Memorias”(The Giver) vem de um livro de Loïs Lowry que lembra muito “Divergente” de Veronica Roth.Ambas as obras literária acenam para outras historias de outros mundos como “Jogos Mortais”. Na pauta uma comunidade hegemônica no futuro onde todo mundo é manipulado no sentido igualitário, onde até quem nasce passa por um crivo em que sobrevivem os saudáveis. No caso faz-se alusão ao nazismo e também ao comunismo utópico. Há igualdade de etnia e humor como há limite inclusive geográfico para que não se contamine um posto em que inexistem guerras ou mesmo animosidades. Todos são iguais e há um policiamento para que assim seja e perdure.
            No filme do australiano Philip Noyce, ora em bluray, quem comanda o lugar é uma guardiã interpretada por Meryl Streep. Quem é o doador de memorias do titulo brasileiro é vivido por Jeff Bridges. Um dos jovens habitantes do lugar ganha a confiança de receber memorias de um velho habitante, afinal quem se rende ao “outro mundo” onde há desigualdades, até guerras, mas “há coisas que não se vê e se sente...como o amor”.
            O tema é sempre fascinante. Pode levar a diversas formas de enredo. E criticas sociais. Mas no caso do cinema resta um bom artesanato e um final reticente onde/quando quem foge do sistema despótico pode (ou não) se dar bem neste mundinho cheio de defeitos onde, afinal, se sente “mais alguma coisa além do vento”.
            A implicação filosófica é sempre interessante. Pena que o filme que ora se lança no mercado de vídeo é demasiadamente esquemático, traçando o conteúdo como uma trama quase policial com braço aberto na ficção-cientifica.
            De qualquer forma, “O Doador de Memorias” é um programa que não atiça o sono. Vi de um tapa. E achei engraçado ver Mary Streep de matrona despótica quase sempre navegando transparente por cenários “futuristas”(a ação se dá em 2049_) traçados com pouco recurso financeiro, driblando a improvisação “tapa buraco”.
            Programa curioso. Quem perdeu no cinema pode arriscar.