quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

E O OLYMPIA 110, COMO VAI?

 

O cinema Olympia, hoje pertencente a PMB,, completa no dia 24 de abril, 110 anos. É o mais antigo do país em funcionamento e no plano internacional. Nesse tempo todo só parou uma vez, durante a Revolução  de 1930. Mas não tanto quanto agora, quando a pandemia, patrocinada por formas de vírus, já o deixa parado por quase dois anos.

            Nesse tempo todo de silêncio, o tradicional Olympia nem mesmo aproveita o pavor de uma doença, ele que não fechou as portas para outras praga como a febre amarela, de seus verdes anos, para uma substancial reforma que entre outras benesses lhe daria um projetor digital (como os cinemas  modernos) e bom aspecto do salão de projeções.

            O Olympia não pode parar. Foi uma luta segura-lo quando o então dono, Severiano Ribeiro, resolveu fechá-lo. O povo paraense, tendo o Cine Olympia em sua memória histórica e documental quer vê-lo de volta, cumprindo a sua missão de ser parte da vida da capital paraense desde a época da borracha nativa, das pequenas salas de cinema mudo e a exigência de elegância no trajar para se ver na tela aventuras de Douglas Fairbanks ou comédias  geniais de Chaplin.

            O amigo Edmilson Rodrigues, atual prefeito de Belém , deve olhar para o velho Olympia como um símbolo de sua terra.

sábado, 21 de agosto de 2021

Viagem Fantastica

 

Otto Klement foi premiado por sua historia chamada “Fantastic Voyage”filmada em 1967 por Rixhard Fleischer. Quando esteve em nossos cinemas e vídeo chegou a empolgar os alunos de medicina, Eu já era veterano na profissão e recomendei o filme. Reforço a recomendação. Um grupo de cientistas é miniaturizado e inserido no  corpo de um espião americano com uma bala na cabeça tornando-o incapaz de revelar o que sabe. A missão é destruir o edema provocado pela bala e com isso permitir que o homem volte a falar.

Um “passeio” num submarino especial por vasos da cabeça e da área cardíaca mostra o interior do corpo humano com uma maestria incapaz de se ver em imagens fixas de aulas de anatomia & fisiologia.

O filme permanece maravilhoso. Um  passeio pelo organismo humano endossando o que um passageiro da “viagem fantástica” diz sobre o prodígio da criação.

sábado, 26 de junho de 2021

 CECIM

Vicente Cecim é a grande falta, este ano, da reunião dos críticos de cinema que escolhem os melhores filmes exibidos no período. Era o nosso Godard, aficionado pelo cineasta francês. Um grande amigo que chegou a fazer cinema em 8mm e dirigiu um documentário sobre minha cinemania. Escritor em linha de poesia criou  Andara, recanto onde morava a sua veia poética, lembrando a Pasargada dde Manuel Bandeira. Hoje ele partiu para este endereço magico de seu eu. Por lá deve curtir o cinema de Jean Luc Godard embalado na saudade que passamos a sentir com a sua ausência.

sábado, 22 de maio de 2021

Kong Vs Godzilla

 

Adam Wingard usou um arsenal de efeitos visuais para encenar a luta do monstro japonês Godzilla com o velho macaco americano King Kong. Claro que a maioria aposta no macacão. Surge até mesmo uma garotinha que idolatra o macaco. Lembrei daquela piada do Tarzan jogando pingue-pongue com a Jane e quando cai a bola ele pede para a Chita ir juntar e a macaquinha syrge toda quebrada recebendo do patrão a sentença: “-Eu disse Chita para buscar a bola de pingue – pongue não a de King Kong”.

O filme é o maior sucesso comercial da pandemia. Rendeu milhões mundo afora. Dá para imaginar o Kong contra o Corona (vírus). Uma pandega. O filme foi todo feito entre computadores. No fim.... bem não vou contar para não tirar a graça dos que se aventurama ver (em streamer pois na telona é ousadia).. Este é o cinema de 2021 quando até a transmissão do Oscar deu baixa. Cinema é telecasa. Kong cabe nas telas dispostas acima dos controles de estações e dvd.

 

terça-feira, 4 de maio de 2021

Vertov

 

Dziga Vertov

Dziga Vertov ficou na historia do cinema como “o olho”. Seu filme emblemático. “O Homem e sua Camera”(também conhecido por “Camera Olho”, em 1924) na verdade é uma antologia da montagem (ou edição). Sua filmagem não é, como diz o prologo da copia hoje transmitida pelo canal Telecine Cult(Sky), aleatória (sem roteiro, nada mais que registro de imagens). Basta que se veja crianças apreciando um jogo de achar a prenda com alternância de faces risonhas. E há prodigiosos travellings como uma viagem de moto. O filme vale pela afirmação de que cinema é sequenciamento de imagens, o trabalho de editar o que se filmou ( e há planos intercalados feitos na hora da filmagem). Não é, portanto, “Um homem e sua câmera” ou “câmera olho”, É o trabalho de se moldar o que se viu (filmou) para ganhar um ritmo. Uma aula nesse setor.

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Mitos

 

“Wild” Bill Hickock, ganhou o nome de Bufalo Bill na caçada a um búfalo branco. O filme desse fato, acrescendo a amizade dele com Crazy Horse(Cavalo Doido) deu o texto de Richard Sale que J.Lee Thompson filmou sem animo, com o canastrão Charles Bronson no papel de Bill. O filme esteve no canal Cult da Sky mas não vale a carreira do diretor e os mitos norte-americanos citando inclusive o Gal. Custer que seria alvo dos índios.

                Muito de historia e lenda entornado num cinema modesto.

quinta-feira, 4 de março de 2021

Nomadland



 Fern (Frances McDormand), mulher na casa dos sessenta,vê-se desamparada quando o marido morre, a fabrica de gesso que ele possuía vai à falência levando-a a migrar para arranjar o mínimo de manutenção.  Sem nada a perder, ela embarca numa viagem  pelas regiões oeste e centro-norte dos E.U.A. – Califórnia, Arizona, Nebraska, Dekota do Sul. Pelo caminho, cruzar-se com personagens que também são trabalhadoras itinerantes. As novas amizades refletem uma condição de vida extremamente dramática, a refletir o cenário rude de região deserta;

            O filme segue uma linha documental com a ficção mergulhada num quadro real onde muitas personagens são interpretadas por elas mesmas, sem maquilagem de atores. Com isso mostra-se um “diamante bruto” no modo como reflete dramas pessoais em cenário onde a natureza colabora para o clima dramático.

            Desde a fase internacional do neorrealismo não se via esse tipo de cinema. E hoje ele carrega um quadro social que se sabe existir nos EUA na Era Trump.

            Frances McDormand repete o brilhantismo de papéis anteriores e poderia ganhar o Globo de Ouro que lhe indicaram. Mas a verdade é que o filme não é só  dela. Há um conjunto estelar. Elogio à direção de Chloe Zhao.