quinta-feira, 4 de março de 2021

Normdland



 Fern (Frances McDormand), mulher na casa dos sessenta,vê-se desamparada quando o marido morre, a fabrica de gesso que ele possuía vai à falência levando-a a migrar para arranjar o mínimo de manutenção.  Sem nada a perder, ela embarca numa viagem  pelas regiões oeste e centro-norte dos E.U.A. – Califórnia, Arizona, Nebraska, Dekota do Sul. Pelo caminho, cruzar-se com personagens que também são trabalhadoras itinerantes. As novas amizades refletem uma condição de vida extremamente dramática, a refletir o cenário rude de região deserta;

            O filme segue uma linha documental com a ficção mergulhada num quadro real onde muitas personagens são interpretadas por elas mesmas, sem maquilagem de atores. Com isso mostra-se um “diamante bruto” no modo como reflete dramas pessoais em cenário onde a natureza colabora para o clima dramático.

            Desde a fase internacional do neorrealismo não se via esse tipo de cinema. E hoje ele carrega um quadro social que se sabe existir nos EUA na Era Trump.

            Frances McDormand repete o brilhantismo de papéis anteriores e poderia ganhar o Globo de Ouro que lhe indicaram. Mas a verdade é que o filme não é só  dela. Há um conjunto estelar. Elogio à direção de Chloe Zhao.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

A Mancha

 

“A Mancha”(The Blot/EUA,1921) impressiona sobremodo na sua edição que se exime (até por ser raro na época) de movimentos de câmera. Um exemplo: se em um médio plano de duas pessoas são vistas conversando em médio (foco da cintura para cinema) segue-se um close(as mesmas pessoas mais perto).Corta-se quando o “normal” seria uma aproximação da objetiva, feita certamente num carro que chegasse ao plano desejado. No entanto o que se vê ésimplesmente um corte e o plano seguinte ao médio. Por certo havia mais de uma câmera em ação. Isto porque se um ator está com um braço semi elevado quando ele é visto de outro ângulo com o  braço terminando de se elevar. Seria difícil mudar as posições sem corte.  Nesse jogo tétnico de imagens fixas corre em mais de uma hora o drama de uma jovem filha de um professor universitário que ganha pouco e no seu emprego ela também não recebe o bastante para manter uma vida de classe modesta, Quando a personagem é assediada por dois rapazes, um é rico e tenta elevar o ganho da família da eleita e outro apenas contemporiza o padrão.

O filme trata em síntese um drama social, sem se aprofundar muito nisso, O que importa não é bem o esquematismo das personagens mas um enredo que focalize a base de um romance.

                Não há um plano de final feliz. Ao invés do ricaço seguir com a amada focaliza-se ela chorando pelo outro que se vai. Se isso é esquemático a diretora Lois Weber quer é que se entenda o quadro social num tempo e espaço. Há, por exemplo, ma critica quando se vê um mestre ganhar pouco para manter uma família (mulher e filha). Chega-se ao vizinho que ganha mais.

                A mancha do titulo seria o quadro social. Mesmo aquém de um resultado mais denso, Com tipos esquematizados, o filme deixa um recado E numa época em que a critica ao desnível de classe era normalmente vetado ou excessivamente resumodo .

                O filme foi remasterizado e andou pelo Telecine Cult. Se passar novamente veja, Uma edição em dvd é raridade que não se acha em  nosso mercado. Nem em cursos de cinema que devem informar o fato de Lois ser a primeira cineasta (mulher) americana (e em 1921 ela já estava encerrando carreira).

 

 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Melhores de 2020

 

Melhores filmes 2020

 

1917

Eu Sou William

O Menino que Cobriu o vento

Farol

Soul

O Caso Richard Jewell

O Dilema das Redes

Crise em 6 Cenas

A Vida dos Outros

Passaro  Pintado

 

Diretor:Sam Mendes (1917)—Joaquin Ohoenix por “A Pé Ele Não Chega La” de Gus Van Sant--Atriz:Cyntia Erivo por “Harriet” de Kasi Lemmons.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

"Soul"

 

Com o titulo em português “Neste Mundo e no Outro” para “A Matter pf Life and Death”belo filme de Michael Powell e Emeric Pressburger a animação “Soul”(Alma) de Peter Docktor(diretor de “Up”) trata de almas livres dos corpos que não querem entrar no cé pois acham que têm muito ainda a fazer na vida. Uma dessas almas é de um instrumentista de jazz que está com data marcada para estrear num banda mas acaba caindo num bueiro e dado como morto. No além ele se torna amigo de outra alma que está presa a compromisso terreno. Os dois(ou as duas) resolvem sair da fila de entrada no além e mergulham na vida física. Mas na descida trocam os corpos. O saxofonista resta num gato e o amigo no corpo do musico. É difícil trocar as almas mas enquanto isso observa-se como essas criaturas aparecem adiante de outros.

Um enredo digno de quem fez a quela historia do velhinho que busca a juventude. Mais um desenho criativo da PIXAR e além das imagens bem dosadas, com  primeiro herói negro, brinca com o que resta depois da morte, começando com as filas de almas que a gente lembra como acontece agora na pandemia quando tantos “desencarnam”.

O valor da vida, a musica como vitamina da alma, tudo e o mais fica neste animação  em que o traço e a cor  associam-se às lendas e deixam o saldo de como e quando se deve valorizar a existência.

Uma animação que se associa ao que muito tem saído da produtora PIXAR (distribuição da Disney)); procurem ver .

sábado, 12 de dezembro de 2020

Kaye e Capra

 

No bojo da pandemia estou revendo filmes. Com muito prazer revi “O Inspetor Geral” de H.Koster com Danny Kaye. É o atestado da capacidade cômica de Kaye. É hilariante vê-lo e, diversas situações que o fazem passar por uma autoridade que chega à uma cidade do tempo de Napoleão confundido com o inspetor que pode flagrar os corruptos do governo. Tenho em minha videoteca quase todas as comédias de Kaye mas infelizmente duas que eu gosto muito não tocaram mais, uma delas “Um Rapaz do Outro Mundo”(Wonder Boy) que ele fez para o produtor Samuel Goldwyn(aqui distribuídos pela RKO). Kaye morreu cedo. Curioso é que a mulher dele, Sylvia Fine, compositora das musicas que ele cantava e dançava, morreu logo depois.

                Revi também os primeiros filmes de Frank Capra.Ele ainda assinava Frank R. Capra.o R de Rosario um sobrenome de batismo. Frank(Francesco)  era italiano e migrou com mãe e irmãos para os EUA seguindo um irmão mais velhos. Sem recursos chegou a ser jornaleiro. Mas conseguiu se formar em química a entrou para o cinema com a proeza de conquistar a simpatia do chefe da Columbia, empresa pequena que fazia muitos seriados e faroeste. Seu “Dirigivel”(Wings/1932) usou orçamento maior e Cohn, o dono da empresa fez a aposta :ou faturava ou era despedido. Faturou e começou tipo de filme que a Columbia não fazia.

                Os dois primeiros longos Capra fez com o comediante Harry Langdon, um dos artistas contratados pelo produtor Mack Senett, formando um grupo de atores que fez a comédia muda ( visual por excelência).Depois conseguiu emprego em estúdio e passou aos longas sonoros quando dirigiu dois filmes sobre a aviação, o citado “Dirigivel” e “Asas do Coração”(Flight).

                Em 1932, já no cinema sonoro, Capra deu a mão (e o coração certamente) a Barbara Stanwick, jovem atriz que não andava bem com o marido. Fez com ela dois dramalhões: “Mulher Miraculosa”( Miracle Woman  ) e “Mulher Proibida”(Forbidden Woman). Outros sucessos comerciais da Columbia. Graças a eles  fez “Aconteceu Naquela Noite”(It Happened One Night) com o disputado galã da época Clark Gable e Claudette Colbert. O filme ganhou Oscars. O primeiro de Capra. Daí partiu para clássicos indeléveis como “Loucura Americana (American Medness), “O Galante mr Deeds(Mr Deeds goes to Town),”Do Mundo Nada se Leva( Aesenic end old lace/Oscar de seu ano )  “A Mulher Faz o Homem”(Mr Smth Goes to Town),até chegar a documentários sobre a Segunda Guerra ao antológico “A Felicidade Não se Compra(It’s a Wonderful Life).

                Capra  chegou a mais de 90 anos e deixou marca no  cinema universal. Seus filmes chegaram ao DVD e acho que so perdi, dos longas, “O Pinto Calçudo”(   que fez com Harry Langdon.

                Cheguei a corresponder-me com ele a proposito de “A Felicidade...” e fui convidado a ver a entrega dos Oscar(não fui). É sempre bom rever seus filmes. Faço agora por conta da prisão domiciliar ofertada pelo vírus que da China se propagou mundo afora produzindo cemitérios.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Mank

 

                “Mank”o filme que está na Netflix, pretende contar como estava Herman Mankiewicz na época em que foi procurado por Orson Welles para fazer o roteiro de “Cidadão Kane”. Quem é fã de cinema sabe do rolo que deu a historia filmada que tinha a ver com Randolph Hearst, o magnata dono de órgãos de imprensa na Los Angeles dos anos 30/40, vendo-se na pele de  Charles Foster Kane (Welles) emocionado (e morrendo) ao pronunciar “Rosebud” -e apesar de não ser explicito o nome tratar da vagina da amante de Hearst, a atriz Marion Davis. Seria um abuso que fez com que Hearst tentasse queimar o negativo do filme correndo estúdios para compra-lo e perdendo terreno para a RKO então a produtora. Claro que  a realidade estava maquilada por Mank e Welles. Por sinal que o primeiro acabou ganhando um Oscar e Welles passar bom tempo dizendo que também escrevera o “script”. Bem, “Kane” foi perseguido mas acabou consagrado como o clássico maior da cinematografia.

                O filme de agora, dirigido e escrito por David Fincher,explicita a mascara de Herman (o Mank de Mankiewicz). Mas deixa pouco da relação com Welles e “Kane”. Prefere mostrar o roteirista entre muita cana e pouco trabalho na indústria do cinema. É longo, cansativo e inócuo. A mim cansou. E nada disse a mais do que já  sabia pela dupla que gerou um verdadeiro clássico.

 

sábado, 5 de dezembro de 2020

Sandra 50

 

                Eu costumava usar dos adjetivos contrários no sentido de dar sorte. A Sandrinha ganhou essa postura. Não seria um anjinho (nem de pau oco como se dizia aos falsos de então). Era do diabo, acrescida “do inferno e da bubônica”(a famosa peste de muito anos desse corona de merda que anda por aqui). No bojo do “elogio” veio coisas como a ligação com a matança dos inocentes por Herodes. Eu cantava; “O rei Herodes(bis) mata criança mata tudo sim senhor,/ o rei Herodes,/ ele sim é o matador”.

                Sandrinha era branca como a neve e nem por isso seguiu 7 anões. Não sei que contou tantos namorados. Mas deve ter chegado perto. Foi a ultima da prole de Luzia, isto quando já se pensava ter encerrada a fabrica (5 anos depois de Claudia, a terceira). Fez a sua magica do além e meteu na mãe o medo de uma menopausa precoce. Mesmo assim a “fabrica’já tinha 30 anos e depois só deu esboços de gente(contou-se dois). Como caçula, ganhou algum mimo. Mas a peraltice empurrava isso. E tinha espasmos mediúnicos como ver gente de uma vida passada. Amigos espiritas aplaudiram e pediram que ela parasse de se corresponder com  a mãe do além.

                Até por ser natural formou-se em psicologia. Teve um casal de filhos e um marido dedicado e vindo da praça carioca. Hoje festeja aniversario (50) na quase centenária casa do Mosqueiro. Já na marca dos oitenta; Mãe e pai abraçam no ritmo da atual pandemia, ou seja, por computador e/ fone. Pensamos abraçar muito a Sandrinha aos 51. Por aí já não será do inferno e da bubônica, Nem de vírus. Continuara sendo a querida caçulinha que viaja na velha Rural ou no primeiro Fusca de cabeça para baixo no banco traseiro.  

                Felicidades Sandrinha dos anos, do céu e da saúde, Sem mesmo de estar dizendo o contrário.