segunda-feira, 19 de junho de 2017

Neo melodramas & Mostras Européias

A formula de “A Culpa é das Estrelas”(The Fault in our Stars), filme de Josh Boone de um livro de John Green, deu certo, ou seja, deu dólares. Hoje os filmes românticos não estão mais afeitos a  um “happy end” tão agradável aos nossos avós. Hoje se encerram os melodramas com alfinetadas realistas e é isto que se vê em “Antes que eu vá” e agora “Tudo e Todas as Coisas”. Nesse tom os enamorados devem seguir mais de perto o casal de “Love Story” e a intenção é comover a plateia.

                O cinema comercial vive de formulas. Revejam “Barton Fink” e constatem que a indústria pensa no lucro através do que fez sucesso na mesma fabrica em passado muitas vezes vizinho no tempo. Em geral o que se vê em telona deriva entre super-herói que pode ser dos quadrinhos Marvel ou DC e tramas onde o vilão é um terrorista. Claro que se fala do cinema norte-americano, a ponto dele influir em produtos de outras plagas. Mas é até por isso bom que se veja os filmes das mostras Varilux e Européia que estão em Belém neste meio de ano. Da segunda eu gostei especialmente do representante da Croácia, “O Caminho de Halima”, e acho que o publico vai gostar ainda mais de “Marie Kroyer”do veterano Bille August(da Dinamarca). Muito bom também é “Hannah Arendt”, que já esteve aqui, dirigido por Margarethe Von Trotta sobre a mulher judia que ousou defender argumentos expostos pelo nazista Adolf Eichman. De um modo geral o extenso programa merece ser visto. É o remédio para a intoxicação de coisas como a nova versão de “A Múmia” ou do Rei Arthur ou outras franquias feitas para faturar fácil a partir de quem vê cinema para não pensar.

domingo, 18 de junho de 2017

A Viagem de Fanny

Fanny, 12 anos, lidera crianças judias que fogem da França ocupada pelos alemães, em 1943, buscando a Suiça, paía neutro na 2ª.Guerra Mundial. O filme “A Viagem de Fammy”(Le Voyage de Fanny) baseado em fatos reais, com a licença de surgir nos créditos de encerramento a verdadeira personagem, é tratado numa linguagem dinâmica embora o roteiro se conforme com diversos furos que certamente não foram vividos pela verdadeira personagem.
                Na época das vacas magras em cinema comercial, o filme dirigido por Lola Doillon de um roteiro dela com base no livro biográfico de Fanny Ben-Ami (no filme interpretada bem por Léonni Souchaud) é agradável de se ver. O elenco se porta bem e as inverossimilhanças passam com as bênçãos de uma plateia que torce para que a garotada consiga chegar a seu destino. Mas a hoje sra. Fanny deve explicar melhor como é que a turma saía molhada de um banho em rio, enxugava a roupa no corpo, fazia as suas necessidades fisiológicas em um pequeno espaço e só se queixava da temperatura ambiente, enfim, como conseguia manter o animo numa odisseia de quilômetros a pé  com o perigo cercando.

                O filme faz parte do Festival Variloux deste ano. Este programa, mais o Festival Europeu que chega ao Olympia, salvam cinema para quem gosta desta arte. Afora isso é tentar achar graça da Mulher Maravilha ou de Tom Cruise entre múmias. 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Antes que Ela Vá

“Antes que eu Vá(Before I Fall) repete a trama de “Feitiço do Tempo”(Grounthog Day) filme de 1993 dirigido por Harold Ramis de um argumento de Danny Rubin. Naquela comédia bem bolada, Bill Murray volta varias vezes ao começo do “Dia da Marmota”(cultura local) e em cada volta revitaliza suas atitudes. Agora, com direção de Ry Russo-Young e trama de Lauren Oliver (um livro), conta a historia de Sam (Zoei Deutch) uma jovem estudante que ao acordar no Dia dos Namorados passa a conviver com fatos que lhe comprometem, reprisando-os a cada noite como que “purgando os pecados”.Chega até mesmo a salvar uma colega menosprezada por sua turma.
                A novidade no filme é que Sam (Samantha) não termina acordando numa boa, refeita de suas mancadas. Ela realmente “parte”. E antes que receba um grau de bondade capaz de leva-la ao céu religioso(felizmente não se menciona isso), muda o caráter.
                Na primeira sequencia a gente vê a moça tratado mal a irmã menor que lhe pede uma opinião. Isto vai mudar nas reprises do dia. Família e outros amores são repensados e a conduta da personagem é como uma lição espiritual digna de setores catequéticos( seja de que setor religioso se aninhe).
                Pela estruturação do roteiro e o esforço da principal interprete o filme foge da linha comum de espetáculos do tipo “Graça”(firma especializada em cinema carola) . É interessante até pelo ritmo conseguido pela diretora. Esteve nos cinemas locais mas não cativou fãs de “Crepúsculo”, “...Tons de Cinza” & adjacentes. Passou correndo. Bom sinal: hoje as plateias querem coisas extremamente digeríveis, saídas de livros que lembram as finadas coleções “Das Moças” como obras de M. Delly,espécies que hoje podem estar na tv em sessão da tarde.

                Vi em casa, pois no cinema a copia legendada foi rara. E eu imagino a xaropada da dublagem....

terça-feira, 6 de junho de 2017

Tela pequena

                Não tinha visto nos cinemas quando esteve em cartaz recentemente “4 Vidas de Um Cachorro”, filme dirigido pelo sueco Lasse Hallstrom . Vi agora em dvd. Divertido no toque melodramático que imagina encarnações de um cão e o regresso emotivo à uma dessas encarnações, justamente a que mais se demora em narrativa acadêmica de bom nível.
                Vi antecipadamente, pois nos cinemas pode ainda vai chegar(embora não esteja marcado),o interessante “Colossal” filme dirigido pelo espanhol Nacho Vigalongo. Um paralelismo entre a rotina de uma garota em Nova York com um monstro que ataca Seul, sua terra natal. Claro que o roteiro , do próprio diretor, usa de metáfora. Mas essa ideia não chega às ultimas consequências. No fim a moça vai ao lugar onde o monstro atua e o domina. É preciso isso numa figura moldada pelo cérebro de quem vive uma vida nada auspiciosa? O monstro interior que se pensa achar na historia ganha uma feição “realista” e as coisas ficam reticentes. Claro que o filme sai do trilho de espetáculos Marvel. É sempre interessante, mais como premissa do que poderia ser.

                                

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Sucessos de publico

Sempre gostei de pesquisar o gosto das plateias. Depois de ver “A Cabana” dei marcha a ré no tempo e vi “Minha Mãe é uma Peça 2”. Ambos se mantiveram em cartaz nas salas de shopping por muito tempo. E se o primeiro achei aquele “sermão” de pastor, com soluções fantasiosas que não via desde Joselito cantar para os acólitos de Franco, na Espanha dos anos 60 (e por aqui), o segundo me pareceu um desvio grotesco das velhas chanchadas.
                “Minha Mãe é uma Peça”no segundo tempo escrito e interpretado por Paulo Gustavo, mostra flashes de uma família de classe média carioca com alusões criticas que esbarram em preconceitos(especialmente com homossexuais). Gustavo como a sra. Herminia volta ao melhor travesti que se possa imaginar (em imagem). Muitas falas, alguns “palavrões”, enfim a busca da comicidade no grotesco, e isto em linguagem fragmentada com pouco a ficar de uma trama coesa.
                O filme é uma coisa difícil de aturar. Pelo menos para mim. Mas fez sucesso. As razões pascalinas, ou seja, as que a Razão desconhece, pululam. Ainda bem que vi essas coisas em casa, no meu dvd&bluray. Fosse na sala grande e por certo sairia no meio da sessão.

                Haja sacco(e até vanzetti).

sexta-feira, 26 de maio de 2017

A Última Gargalhada

Na época do cinema mudo dois títulos chegaram por aqui mostrando apenas imagens, sem intertítulos. Dois desses filmes prendem-se ao movimento chamado “kammerspiel” que na Alemanha entre guerras pronunciava um estado de paz utópico. O primeiro chamava-se “A Noite de S. Silvestre”(1924) de Lupu Pick. Era praticamente uma crônica do dia de ano novo sem o enfoque característico do em moda expressionismo, saindo a caminho do que seria o neorrealismo na exposição de fatos em luz clara captada pela câmera. O outro filme, dentro do movimento, basicamente uma resposta ao terror da linguagem que deu obras-primas na amostragem do horror que cabia na Alemanha da hiperinflação dos anos 1920, foi “A Última Gargalhada”(Der Letze Man/também de 1924) do já consagrado F. W. Murnau. Este ultimo vai ser reapresentado agora na Sessão com Musica do Olympia(ao piano Paulo José Campos de Melo).          
                Era raro fazer cinema puro, sem falas ou letras. As imagens diziam tudo. E elas registravam o drama do velho porteiro de um hotel que ao deixar o cargo para trabalhar na lavanderia do prédio era visto pela população como um derrotado. Não sei é onde nossos tradutores foram chamar “O ultimo homem” de “Ultima gargalhada”. Até porque o grande ator Emil Jannings não ria. Vestido como um oficial expõe seu drama sem precisar dizer o que sente. Um plano próximo deixa que se veja seu sofrimento físico. E o uso do preto e branco escapa do contraste caro ao expressionismo preferindo um enfoque real.
                Este “cinema de câmera” durou pouco. Viria o cinema falado e nos anos 1950 a Itália optou pelo que se chamou neorrealismo, com “historias de rua” a exemplo de “Ladrões de Bicicletas”.

                Conhecer historia do cinema parte por esses títulos básicos. Em boa hora são revistos atendendo aos jovens que se dedicam â essa arte.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A Cabana

                O sucesso popular do filme “A Cabana”(The Shack) moldado no livro de William P.Young e Wayne Jacobsen é invulgar quando se observa que numa praça como Belém, onde a carreira de filmes ambiciosos comercialmente não foge a 3 semanas em cartaz, ganha mais de um mês nas salas de shopping ficando, por exemplo, em todos os horários do maior espaço de uma delas por cerca de 5 semanas.
                Eu andava curioso em saber por que tanta gente gostou tanto do trabalho do diretor Stuart Hazeldine, sabendo, naturalmente, que a predileção cabe ao que se conta no livro, um desses best-sellers a lembrar  “Crepúsculo”, “...Tons de Cinza “e outras historias românticas com  toque de fantasia.
                Vendo o filme pensei até que a produtora fosse a Graça, especializada em obras religiosas. Um marido e pai tirano(Mack / Sam Worthington), no inicio da narrativa é apresentado como violento contra a mulher e o filho adolescente (o casal tem mais duas meninas). Logo a historia passa para a menina menor que num piquenique fica impressionada com uma historia de princesa que se atira numa cachoeira contada pelo pai. E esta menina desaparece. Ao mesmo tempo em que o filho quase morre afogado. Resumindo: a  garotinha é assassinada por um psicopata, o pai recebe uma carta dizendo que pode encontrar vestígios dela numa cabana na floresta.Nesta cabana ele  vai achar Deus. Só que Deus é Pa, uma mulher negra(papel de Octavia Spencer que a pouco havia feito uma das funcionarias da NASA em “Estrelas Além do Tempo”). Há o filho dela, um Jesus com cara de hippie (Avrahan Aviv Alush) e ainda  uma lembrança do Espirito Santo(Samire Matsubara).  O encontro com a divindade leva às confissões e redenção do personagem antes “durão”.
                É uma senhora dose de religiosidade não necessariamente dogmática. Não li o livro mas quem leu fala de momentos dramáticos que sensibilizam o leitor desde que ele seja um crente. O filme não me parece dessa forma. É de uma pieguice notória e não se desenvolve de forma criativa, enfatizando planos como um quadro de flores ou um céu estrelado como visões do Bem, uma alegação tão ingênua como os diálogos que diluem a problemática mais densa que cerca a vida do herói da trama.

                O tipo do filme para as choradeiras de plantão. Podia ser produção da Graça que não fazia feio com os espectadores dessa firma religiosa que vende bem em dvd.