sábado, 22 de julho de 2017

De Canção em Cansaço

              Há filmes em que o diretor-roteirista deve apresentar pessoalmente ao publico para explicar o que ele quis dizer. Ou mostrar. O caso deste “De Canção em Canção”(Song to Song) de Terrence Malick. O que eu vi foram planos desconexos de Rooney Mara se esfregando em Michael Fassbender e Ryan Gosling alternados por paisagens de Austin(Texas), o local das filmagens. Rooney controlaria os dois mas ainda há espaço, da parte de um deles, para um esfregaço com Natalie Portman e até Cate Blanchett. Não sei quem deseja quem ou mantenha um romance com quem ao som de um repertorio musical que eu só penso ser musica pelo cuidado da legenda em especificar que é isso.
                O filme cobra duas horas de folia formal sem dizer a que veio porque não possui uma historia. É uma pretensa folia amorosa que nem se dá ao luxo de dizer o que fazem as personagens na vida boa que levam.
                Não gosto desse tipo de cinema experimental. Detesto Godard e seus acólitos. Terrence Malick que já fez excelentes filmes, cai nesse tom. Faz cinema de festival e isso quer dizer filme para publico que  adora decifrar charadas cinematográficas elogiando detalhes que escapam a sensibilidade dos pobres mortais da plateia (eu no grupo).

                “Song to Song” pode até chamar a atenção dos que aplaudiram musicais modernos como “La La Land”. Mas eles tinham um fio de meada sustentando acordes. Aqui, na farra de Malick, nada se sustenta. São planos manuais independentes  montados de forma acronologica  . Eu sinceramente não entendi o que vi. Nem senti, exceto que estava perdendo tempo. Saco!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Ficção e Realidade

                Quem gosta de ficção cientifica deve comprar a coleção de dvd com a série “Cosmos” de Carl Sagan. Esta série chegou até nós no fim do século passado e quem viu alguns episódios na TV, como eu, admirou a facilidade com que o apresentador (e autor do argumento) via a astronomia e a física de um modo geral, mostrando como a gente é pequena no universo, como se substancia o pensamento dele (“eu não quero crer, eu quero entender”).
                Se a ciência ganha espaço popular em “Cosmos” alguns filmes de sci-fi aborrecem como este “Paralisia” que anda por aí em dvd copiado da faixa Netflix. Ali uma viagem no tempo leva pessoas do futuro ao nosso ano para tentar abortar uma guerra nuclear que diminuirá sobremodo a população da Terra. Este assunto já foi muitas vezes abordado mas desta vez, com os viajantes no tempo tomando corpos de pessoas atuais, perde-se na absoluta falta de senso do argumento, abrindo furos por todos os lados no contraste de épocas (ou o quanto se pode influir no futuro alterando o passado.
                Nem vale a pena decorar nomes de autores (e atores). Tudo é ruim.
                Melhor em DVD é “Ninguém Deseja a Noite”(Nadie Quiere la Noche), biografia fantasiada da mulher do explorador do polo norte, Robert Peary, chamada Josephine, dama da classe média alta americana que se mete no gelo em busca do marido que pretende fincar a bandeira do país no teto do mundo. O filme escrito pelo espanhol  Miguel Barros e dirigido pela catalã Isabel Coixet tem em Juliette Binoche e na fotografia de Jean Claude Larrieux o seu amparo. Também se salienta a jovem japonesa Rinko Kikushi que faz a esquimó Allaka, amiga de Josephine a mãe de um filho possivelmente deixado em seu ventre pelo explorador Robert.
A “cor local” está presente e a narrativa consegue driblar a monotonia de uma unidade de lugar. O filme não chegou aos cinemas locais, o que não é de espantar.           

                                

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Z, A Cidade Perdida

                O filme “Z, A Cidade Perdida”(The Lost City of Z/ Ingl.2016) passou correndo pelos circuitos de shopping existentes em Belém. E o curioso é que não agradou ao grande publico (quem viu afirmou que não gostou);. Na verdade poucos sabiam da historia do coronel inglês Percy Harrison Fawett que em 1925 sumiu na selva amazônica com seu filho Jack e um amigo. Eles procuravam uma suposta cidade perdida na mata e no livro de Davida Grann que deu margem ao roteiro do diretor James Gray eles acabaram capturados por índios e levados a um sacrifício que a narrativa cinematográfica não explicita(fica uma reticencia poética).
                O mistério em torno dos Fawcett não terminou  quando a ossada encontrada pelo sertanista Villas Boas que recebeu de índios Kalapalo ossos de “estrangeiros” não recebeu exame de DNA pela recusa de parentes do inglês desaparecido (a mulher dele é vista no ultimo plano do filme divagando pela possível vivencia do marido em uma terra estranha). O filme também se despede dos Fawcett(pai e filho) quando eles seguem em padiolas, guiados pelos índios antropófagos para um lugar que não é explicito e está no meio da taba entre sinais luminosos dos habitantes em uma noite.
                Gray filmou em locais distantes da nossa Amazônia. Mas o espaço não trai a imagem que a gente conhece. E quem acompanhou a odisseia de Fawcett por jornais e revistas ao longo dos anos (foram muitas expedições atrás dele) não se sentem frustrados. Há um cuidado cenográfico muito bom auxiliado por uma fotografia que capricha na luminosidade parca da selva circundante.
                O filme pode cansar quando detalha a vida de Fawcett antes da aventura que lhe fez sair da vida (pelo menos da civilizada), mas tudo é necessário. Um trabalho de folego(mais de 2 horas de projeção) que situa entre os melhores de tema amazônico.
                Quem não chegou a ver o filme nos cinemas (horários compatíveis só em copias dubladas) ganha chance em dvd. Ressalto o trabalho do ator Charlie Hunnan (de “Filhos da Esperança”). Não é bem o Fawcett que se viu em fotos de jornais mas dá força ao personagem.

                Um bom filme de um tema sempre interessante.