quarta-feira, 19 de abril de 2017

Musicais

                Os melhores musicais norte-americanos estão no cinema Olympia, a maioria de volta ao espaço que os lançou comercialmente, marcando o 105° aniversário da casa.
                “Meias de Seda” tem dois monstros sagrados da dança: Fred Astaire e Cyd Charisse. O roteiro reprisa a historia de Ninotchka, o filme com Greta Garbo, mostrando Cyd como a soviética que vai a Paris disciplinar os russos que para ali foram enivados em missão diplomática e se acostumaram com as atrações turísticas (e sexuais). Nunca esqueci Peter Lorre dançando (ou fingindo que dança) e um numero antológico do casal de dançarinos. Foi um esforço do diretor veterano Rubem Mamoulian que se queixou do enquadramento cinemascope a que ele não estava acostumado.
                “Sete Noivas Para Sete Irmãos” pega o Rapto das Sabinas no oeste norte-americano com um grupo de hábeis dançarinos, como Russ Tamblyn, não só roubando as moças como construindo uma casa em passos de dança. Antológico.
                “Gigi” é o meu musical preferido e o ultimo da Metro. Venceu 9 Oscar,inaugurou aqui o Cine Palácio e não exibe danças mas o canto não tem jeito de opereta. Maurice Chevalier abre apresentando a menina imaginada pela escritora francesa Colette e que foi bem moldada por Leslie Caron. Louis Jourdan, morto em 2015 com mais de 90 anos, é o conquistador milionário que ao perceber a beleza adulta da garotinha Gigi que ele viu crescer dá margem à uma das mais belas canções do filme muito bem dirigido por Vincente Minnelli. Sempre bom de rever,
                E “Cantando na Chuva” hoje provoca lagrimas. Ver Debbie Reynolds muito jovem e bonita, sabendo que já se foi, dá um quadro de saudade ao dançar com Gene Kelly e Donald O’Connor,todos hoje dançando em outras nuvens.
                E há o belíssimo “Sinfonia de Paris”, outro vencedor de Oscar, com Gene Kelly co-dirigido e em momentos inspirados quando executa um final apoteótico.
                Esses musicais fizeram a alegria dos cinemeiros de ontem e eu os vi na estreia, ajudando a memoria de uma época.

                

terça-feira, 18 de abril de 2017

Sob as Sombras

                Filme  de terror não é apenas historias de monstros que surgem com acordes súbitos da trilha sonora para assustar o espectador propenso a isso desde que, ao comprar  ingresso do cinema já saiba que  gênero cobre seu programa. Há exemplos de filme de terror em que o medo chega de situações até mesmo triviais, adentrando em dramas ou comédias que não parecem propensos(as) a isso. O caso deste “Sob a Sombra” do iraniano Babak Anvari que por aqui só chegou em dvd.
                O roteiro, do próprio diretor, trata de uma jovem universitária do curso médico que é impedida de continuar seus estudos porque se meteu com a esquerda na Guerra do Iraque (Irã-Iraque) e que no ano da historia, 1954, ainda existe. Fadada a ficar em casa tomando conta da filha de 9 anos, ela se torna irada quando o marido, um médico que trabalha para o governo em cidades que sofrem ou não os horrores da guerra, diz que ‘é melhor assim”. Passando o tempo, a estudante guinada à dona de casa, passa a acompanhar a garotinha que lhe devota grande afeição, na crescente amostragem de figuras horrorosas que de inicio se prendem aos sonhos das duas depois passam a integrar o cotidiano a ponto delas fugirem do ambiente.
                O diretor estreia no longa-metragem (havia feito antes 3 curtas). E imprime uma atmosfera coerente com o pavor relatado. Ora é a fotografia esmaecida tendendo para o vermelho, ora são os enquadramentos que passam de comportados médios planos quando a família está reunida para uma profusão de cortes e manuais dimensionando o pavor crescente das mulheres solitárias num mundo em guerra, e ainda a trilha sonora que preza o silencio e jamais ganha tom nas cenas de medo. A batalha formal chega a um clímax onde se vê o telhado da casa das personagens virtualmente destruído. A guerra chegou ali, mas o terror pode ter chegado antes pois a idéia de insegurança gera verdadeiros monstros e há um plano de um deles debaixo da cama da menina.

                Enfim uma novidade num gênero aviltado com mesmices e/ou franquias deletáveis. Pena que só nos alcance para telas menores. Mesmo assim, e talvez até por isso, cumpra a sua missão .

sábado, 15 de abril de 2017

Manchester à beira mar

                Verdadeiro presente de Pascoa aos cinéfilos locais a exibição de “Manchester à Beira Mar” no Cine Libero Luxardo. Foi o dono do Oscar de ator(Casey Affleck)e narra a sensível historia de um rapaz que se encarrega do funeral do irmão e de tomar conta do sobrinho adolescente. Ele tem problemas pessoais em Manchester e é obrigado a encarar o cenário para cumprir uma obrigação familiar dramática.
                O filme escrito e dirigido por Kenneth Lonergan é desses que toca o coração. Difícil ficar alheio ao que é narrado e ainda mais pelo empenho dos atores, com Casey, o irmão de Ben Affleck, compondo exemplarmente o homem sofrido até pelo exilio forçado e a revelação de Lucas Hedge como o sobrinho que tem de tratar como filho.
                Nada me pareceu faltar a este filme que se eu pudesse interferir no páreo do Oscar o colocaria com muitos prêmios(ganhou o de ator). Um raro exemplo de linguagem simples e capaz de ser profunda sem apelar para os salamaleques de cineastas que fazem filme pensando em festival.
                Seria triste se esta obra-prima ficasse de fora da exibição normal em Belém e estava ameaçada disso, pois as salas comerciais a tinham levado a cidades vizinhas passando por cima da nossa que se envolve aos títulos dublados e vazios. Parabéns aos programadores do Libero.


terça-feira, 11 de abril de 2017

O Espaço Entre Cinema e Inteligencia

                Realmente faz falta roteirista como Richard Matheson. O filme “O Espaço Entre Nos”(The Space Between Us) parte de uma boa ideia e desperdiça essa ideia num emaranhado e furos que daria uma enciclopédia dos que pescam cochilos cinematográficos.
                A historia de Stwart Schill, Richard Barton e Alan Loeb passa pelo roteiro do ultimo como um menino nascido em Marte que deseja conhecer o pai na Terra(pois a mãe havia morrido por ocasião do parto) e ao chegar aqui sente todos os problemas físicos da diferença de gravidade e oxigenação. E mais: desde Marte, mexendo em computador, ele que já tem 16 anos, passa a namorar uma garota terrestre que lhe espera e no nosso planeta segue seus passos num namoro até que a dificuldade de adaptação leve o moço de volta ao mundo onde nasceu.
                Os furos são tantos que nem vale a pena mencionar um por um. Mas espanta quando se sabe que a mãe do marcianinho já embarcou gravida na nave espacial. E a viagem deve ter demorado mais tempo do que a gestação embora o parto só se tenha dado no planeta vermelho. Depois há um monte de facilidades, como as viagens interplanetárias, os carros sempre à disposição das personagens, e o caso médico do garoto, diagnosticado com cardiomegalia (coração grande)além de  ossos “finos”. Mesmo assim ele se salva de afogamento e espera viajar de volta ao seu mundo deixando a namoradinha triste.
                Uma trama que enfocasse as diferenças físicas dos que tentam viver nos dois planetas seria curiosa se levada um pouquinho mais para a ciência. O problema é que o filme apostou nos fãs de “Crepúsculo” e outras drogas românticas hoje vendidas não só em cinema como em literatura. Felizmente as plateias mundiais não embarcaram nessa nave espacial fajuta. Talvez porque o final do romance fique reticente. Se levassem a garota terrestre para viver com o amado no novo mundo por certo a bilheteria seria mais favorável. Mesmo apostando num realismo “cômico” nada se salva. Ainda bem que não perdi tempo indo a cinema ver essa coisa que chegou com mais copias dubladas (e eu penso no ridículo das falas...). Vi graças a internet. O caso volta a dizer que Hollywood perdeu a imaginação. Quando surge uma ideia interessante logo se apaga nas formulas que hoje se acham mais acessíveis aos garotos e garotas que pagam ingresso em cinema comercial.

                Ah sim, o diretor chama-se Peter Chelson. Inglês, já cometeu “Escrito nas Estrelas”.O melhor seria embarca-lo para um planeta de outra estrela, bem longe deste nosso mundo.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Para Ter Aonde Ir

Jorane Castro, que eu conheço desde criança, fez um longa autoral corajoso com “Para Ter Aonde Ir” seu primeiro longa-metragem. Pra começo de conversa ela conseguiu, através do seu fotografo Beto Martins, planos subaquáticos em rio, coisa que o Libero (Luxardo) tentou em “Marajó Barreira do Mar” mas desistiu pela recusa de Fernando Melo(na câmera);
O problema do filme de Jorane é a sua difícil comunicação com o grande publico. Sequencias longas como a da abertura (com a objetiva por trás da personagem que navega, deixando que se veja um rio amazônico) deve cansar o espectador comum. E a licença surrealista numa boate em Salinas não me pareceu se enquadrar no conjunto. Mas há verdadeiros desafios como uma tomada aérea do carro na estrada. E a condução das interpretes, em nível altamente profissional.
O tema adentra em estudo de caracteres com uma metáfora de base: uma ilha que surge uma vez por ano. As 3 mulheres, Eva, mostrada como a mulher madura mas com incertezas, Melina, que busca um amor e Keithylennye, grifada como a suburbana que desejou ser "dançarina de tecnobrega”, buscam essa ilha de felicidade que pouco se discute verbalmente ao longo de um “road movie”. Onde se passa mais tempo & espaço dramático é no encontro mãe e filho violonista numa barraca de Salinas. Seja a ser mais significativo na arquitetura do tipo do que a favelada que percorre as estivas com o filho no braço. Mas tudo é espaço para surgir a região. Há Belém, há estrada com a mata modulando, há belas imagens de praia oceânica inclusive a que fecha a viagem com as 3 à beira mar (endosso da metáfora base).
            O filme é desses que cada um pode ver de um jeito. Coragem da Jorane que não foi seduzida por um folclorismo nem caiu na armadilha de um Antonioni tupiniquim.
            Espero que o filme chegue aos cinemas comerciais.Agradeço a visão prévia.


segunda-feira, 27 de março de 2017

Neruda

Neruda,o filme, apresenta em primeira instancia a perseguição do poeta Pablo Neruda(Nobel de Literatura em 1971) pelo investigador Oscar Peluchonneau,uma espécie de Javert atrás de Jean Valjean como pintou Victor Hugo no seu “Les Miserables”.
Na Historia, com H maiúsculo, o Partido Comunista chileno e seus filiados foram perseguidos pelo governo de González Videla dentro da conhecida por  Ley Maldita,  apoiada na perda de direitos políticos, prisões e torturas como de praxe nos regimes ditatoriais (aconteceu no Chile e mais tarde em muitos países latino-americanos inclusive o Brasil).
 Neruda (interpretado por Luis Gnecco) é, no roteiro de Guillermo Calderon, um boêmio em certas horas, um politico comunista que chegou a ter cadeira no parlamento, e um tipo burguês apesar do apego idealista que mesmo assim tem capacidade física de se embrenhar no mato(é o termo)para fugir dos inimigos. Nada, a exceção do tipo físico, ao que se viu na pele do ator Pilippe Noiret em “O Carteiro e o Poeta”. E quem conhece a verdadeira biografia de Neruda acha uma aberração.
O cineasta Pablo Larrain vem se especializando em cinema politico. Pelo menos dois de seus trabalhos mereceram aplausos: “No”, sobre o plebiscito que pediu a saída de Pinochet do governo chileno, e “O Clube”, enfoque da pedofilia focalizando padres que atacaram crianças, reunidos em um retiro onde um elemento do alto clero tenta mudar suas atitudes. Abordagem muito mais densa do que no premiado “Spotlight”. Em “Neuruda” o cineasta segue a linha politica, mas no prisma histórico, tentando dimensionar um poeta internacionalmente famoso como pessoa física no cenário de terror que seguiu a sua própria atuação no governo de seu país.
A meu ver o que faltou na dosagem foi o roteiro. Não se sabe muito do Neruda proscrito do governo e de sua face “domestica”. O enfoque maior é a perseguição pelo policial que se mostra obsessivo  (bom trabalho de Gael Garcia Bernal). Tanto que a câmera se detém no cadáver do que seria o vilão, e mesmo deixar que se veja Neruda adiante do morto com um ar de piedade (e seria este o proposito ?).
Larrain deve prosseguir na sua obra dirigida aos dramas históricos de sua terra. A gente que pouco vê do cinema chileno tende a aplaudir. Mesmo que em casos como “Neruda” deixe alguns espaços vazios.


domingo, 26 de março de 2017

Fragmentado

A ultima personalidade do tipo criado por M. Night Shyamalan para seu filme “Split”(Fragmentado) chama-se Fera. Encontraria a sua Bela na jovem Casey  que ele sequestra juntamente com duas colegas dela. Não seria o “príncipe encantado” de Mme Leprince de Beaumont, como a moça não seria a jovem cândida que pedia ao pai uma rosa. Mas seria o desencadeador de um processo que tenta se amparar na psicologia, envereda pelo misticismo e acaba sendo um fecho de charada que nem sempre funciona a quem se dispõe a decifrar.
                Basicamente o argumento do próprio diretor (assim como o roteiro) enfoca um psicopata com múltiplas personalidades produto de um trauma na infância. A vitima preferida, digamos assim, também é uma pessoa violentada no passado. A historia mistura a trama de muitos filmes sobre sequestradas (os) com alguns casos clínicos de multipersonalidade a maneira do que se viu no cinema em “As 3 Mascaras de Eva”(Three Faces of Eve). Neste segundo plano entra absurdos como uma psiquiatra que não mede o perigo que cerca o relacionamento com um cliente difícil e como ela acha que pode domar sua ferocidade numa ação tardia (um bilhete em desespero quando cita como formula de apaziguar a personalidade violenta chamando-a pelo nome de batismo).  Isto sem falar na pouca profundidade de se medir o caráter de Casey, a mocinha mais evidente do trio prisioneiro(alguns flashbacks tentam dizer quem é quem e como a Bela enfrentará a sua Fera).
                O filme sempre é curioso, sempre mantém a atenção, mas se for analisado nas diversas formas que convida à sua leitura, inclusive a médica, é desastroso. Mas a verdade é que o objetivo não é discutir psiquiatria nem ir ás ultimas consequências de um aproveitamento metafórico de uma fabula. É mesmo um exercício de estilo mui caro ao diretor, um cineasta que ama o cinema instigante, cutucando ideias, sem necessidade de explicar como as coisas se portam em suas origens.

                Shyamalan pode não ter feito mais filmes do nível de seus dois primeiros (“O Sexto Sentido” e “Corpo Fechado”), mas não deixa de filmar enredos fantasiosos ou estranhos à produção comercial padrão. No caso deste novo trabalho louva-se em especial o trabalho do ator James McAvoy, É um grande esforço suas expressões corporais ilustrando as diversas personalidades que se lhe atribui. E deve se ressaltar um final que pode parecer enigmático. Muita gente saiu do cinema contando epílogos diferentes. Se não é um gol do autor é um tiro na trave. 

segunda-feira, 20 de março de 2017

Replay

 Há um momento neste “Kong, A Ilha da Caveira” em que o gigantesco macaco tira do fundo do rio a mocinha(que mostra um folego extraordinário), segura-a na mão esquerda, luta contra um animal alado e ainda assim consegue deixar a garota em perfeita saúde no devido chão. No Kong de 1933 concebida pela dupla Merian C.Cooper e Ernst B. Schoedsack, a heroína está acanhada no alto do edifício Empire State, então o mais alto do mundo, enquanto o macacão,seu raptor, enfrenta aviões que lhe metralham. Hollywood se repete estimulada pela bilheteria. É obvio posto que o cinema industrial vive do que vende. Mas é também observável que a imaginação gera frutos. Infelizmente os grandes roteiristas imaginativos como Richard Matheson, já não estão neste mundo. Resta as franquias. Repete-se ou continua-se o que já se viu. O novo Kong é isso. Começa tocando na guerra do Vietnam e focaliza um bando de helicópteros a lembrar “Apocalipse Now”. Até aí nada de novo na tela. E passa-se à uma expedição que encontra a tal Ilha da Caveira onde moram criaturas pré-históricas, todas perdendo em altura para o Kong que bate no peito como quem diz: “-Ninguém é melhor do que eu”.
                Nada no filme escrito por Dan Gilroy e Borenstein e dirigido por Jordan Vogt Roberts é novidade. Basicamente é a historia de Bill Randa (John Goodman)  membro de uma organização secreta que convence um senador dos Estados Unidos a patrocinar uma expedição. Segue a Guerra do Vietnã, e o Coronel Packard (Samuel L. Jackson) oferece ajuda aos cientistas, comandados por James Conrad (Tom Hiddleston) e a fotógrafa Mason (Brie Larson) na busca de elementos interessantes na área da antropologia (?), chegando ao ninho dos dinos e do ilustre símio que em CGI parece bem maior do que aquele que a RKO distribuiu em stop-motion nos anos 30.

            Nos cinemas o filme chega em 3D para o macaco se expandir. Mas o espectador inteligente deve ficar mesmo em casa. E o pior: no ultimo plano deste novo filme o macaco só falta dizer; “-Eu voltarei”. E a câmera “morre”no olho dele. Isto quer dizer uma nova franquia. Já se fala em novo embate de Kong com Godzilla. Eles se encontraram antes em filme de Ishiro Honda(1963).E daí ? Há quem pague para ver.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Elis

 Os cantores estão bem biografados em cinema. Lembro de Luiz Gonzaga e de Tim Maia. Agora é a vez de Elis Regina. O filme “Elis”, de Hugo Prata com roteiro de Luiz Bolognesi, Vera Egito e do próprio diretor, conta bem a historia da mocinha gaúcha que vai com o pai tentar a sorte no radio do Rio de Janeiro. Certo que apressa o andor e deixa que se veja apenas alguns problemas enfrentados, especialmente o seu papel na época do governo militar quando chega a cantar para soldados depois de uma intimação que poderia prejudicar sua carreira(“afinal”, disse ela, “Maurice Chevalier cantou para os nazistas”).
                O filme não seria o que é se não fosse o empenho da atriz Andreia Horta. Até no sorriso ela lembra Elis. Dubla algumas musicas e expressa bem os traumas sofridos pela biografada, especialmente seus relacionamentos com dois homens.
                Narrado linearmente o trabalho do diretor mostra-se capaz de expor o talento da “pimentinha” que deixou marcas profundas na mpb de um tempo. O filme já existe em dvd e bluray e hoje se pode fazer uma coleção de obras cinematográficas que tratem de figuras da musica popular brasileira(só a abordagem em Noel Rosa é que ficou muito ruim).

                Exibido com sucesso nas salas comerciais de Belém, “Elis” vai agora ficar um mês em cartaz (só aos domingos) no Cine Estação. O problema é que foi muito visto. Não deve dar publico. E a meta agora de quem está programando o cinema da sala Maria Sylvia Nunes é mostrar títulos nacionais atrativos. Acabou o espirito de “sala de arte”. Uma pena.

A Bela e a Fera de Cocteau

                A melhor adaptação do conto de Jeanne-Marie Leprince de Beaumont “La Belle et la Bête”(A Bela e a Fera) foi a do poeta Jean Cocteau em 1946, filme que teve roteiro, diálogos e “décor”dele com direção de René Clement(mestre em “Brinquedo Proibido”/Jeuxs Interdits).Jean Marais, companheiro de Cocteau até sua morte, fazia “Fera”, e Josette Day “Bela”. Curioso é que no elenco está Mila Parély(1917-2012), atriz que se casou com o ator e ficou casada por dois anos mesmo sabendo de sua homossexualidade.Ela faz o papel de Félicie uma das irmãs de Belle.
                O grande filme de Cocteau vem à baila quando chega às telas internacionais a nova versão feita pelos estúdios Disney, exemplar de uma série que esse estúdio está produzindo a partir de seus filmes de animação(e eu não gosto de sua “Bela e a Fera”, desenho que exibe até erros de perspectiva). Não vi o novo filme e não sei se vou ver. O clássico de Cocteau é tão envolvente que não deixa espaço para semelhante na memoria do espectador. Eu o vi com 12 anos e daí em diante o revejo com frequência e sempre admirando o conjunto da obra.

                “A Bela e a Fera “soma com “Orfeu”(1950)entre os melhores filmes de Jean Cocteau. Pena que ainda não tenha chegado ao bluray e a edição em dvd já é antiga, sujeita ao desgaste natural do processo.  Mas se conseguirem uma copia, vejam. Sempre vale.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Fome de Poder

 “Fome de Poder”(The Founder)pretende contar a historia de Ray Krock, um modesto vendedor que descobriu o restaurante dos irmãos McDonald e impressionado com o serviço que imprimia rapidez de atendimento, convenceu os donos da casa a criar filiais em outras cidades, acabando por inaugurar McDonalds em muitos estados norte-americanos e até mesmo assegurar para si o nome da rede de refeições rápidas, desbancando os próprios fundadores.
                Krock morreu aos 81 anos em 1984. A historia de sua vida ganhou um roteiro para cinema escrito por Robert D.Siegel (de “Turbo”)  e direção de John Lee Hanckock (de “Disney nos Bastidores de Mary Poppins”). Evidentemente a trajetória do biografado ganhou realces hollywoodianos e chance para Michael Keaton mostrar talento. Mas o resultado não deixa de ser uma aula da maquina capitalista, de como o capital suga até mesmo direitos adquiridos.
                O filme chegou a ser cogitado para figurar entre os candidatos ao Oscar. Não deu, e certamente não tinha capacidade de chegar ao pódio das produções do ano. Também não é comercial no aspecto amplo. A chegada até aqui se deve, certamente, ao distribuidor que exigiu lançamento amplo. Mas eu não creio que vá agradar muito. Vale por Keaton e pela lição de como fazer fortuna mesmo por cima dos outros. Na realidade Krock, ao morrer, deixou para os herdeiros cerca de 50 milhões. Descendentes de sua terceira mulher, Joan(morta em 2003), devem ter permitido o texto que deu margem ao filme. Afinal, o empresário esperto é o mocinho da historia. O problema é que a narrativa não entra em detalhes de como ele foi ficando rico. Há elipses que não devem ter sido cogitadas no plano real. Mas em tese é essa trama de ganhar dinheiro, e especialmente de como se pode passar a perna em quem tenha dado a ideia de construir a riqueza.
                Um filme menor com um desempenho de bom nível. Keaton precisava disso depois de “Spotlight” e em trabalhos menores que hoje somam 78 a contar com 3 inéditos.


segunda-feira, 6 de março de 2017

Silencio

No século XVII dois padres jesuítas viajam para o Japão em busca de seu mentor, padre Ferreira, ha muito desaparecido. Na região onde procuram o religioso sabem que o cristianismo é tido como ilegal e os que processam esta fé são executados.
O filme “Silencio”(Silence) é derivado de um livro de Shûsaku Endô com roteiro de Jay Cocks e do diretor Martin Scorsese.Este ultimo, de formação católica, desejava levar ao cinema o texto japonês desde a época em que filmou “A Última Tentação de Cristo”, roteiro de Paul Schrader vindo de um livro do grego Nikos Kazantzakis.  Mas o projeto era muito caro e não interessou aos grandes estúdios de Hollywood. Ousou agora, com verba própria, arriscando prejuízo pois o custo foi de  $40.000.000 (estimado)e a renda nos EUA  só chegou em fevereiro a $7.079.191.
         Liam Neeson faz o padre desaparecido. Andrew Garfield e Adam Driver os que o buscam. Nessa viagem tormentosa os personagens testam a sua fé, ou a sua capacidade de pelo menos esconder dos algozes a sua crença.
         O trabalho árduo de Scorsese gasta na tela quase 3 horas. Não é fácil de ser visto. Mas o objetivo, ou seja, a luta pela manutenção da crença em Jesus Cristo, é conseguida especialmente através dos interpretes (todos corretos). Só Liam Neeson tem pouco a fazer (mesmo porque aparece pouco).
         Scorsese filmou em locais que tem a ver com os acontecimentos narrados e usa tonalidades que emprestam o necessário tom emocional que preside as situações. Não chega, contudo, a discutir com mais rigor a questão da vulnerabilidade da fé, embora não repita as cenas de martírios e mártires que se viu em filmes do gênero.
         “Silencio “é um esforço de cineasta-autor, e se não chega a excelência deve-se, por certo, à uma maquiagem da Paramount para  que o filme ficasse mais acessível ao grande publico. Nota-se esta maquilagem, mas se compreende no esforço do diretor em concretizar um velho projeto. Ou sonho.
         A exibição brasileira está marcada para o dia 9/3. Milagrosamente chega à Belém. 
  

A Grande Muralha

                Custa a acreditar que Zhang Yimou, diretor de filmes marcantes como “Lanternas Vermelhas”(e eu lembro  Gong Li, a atriz que o amigo Alexandrino Moreira passou a chamar de “minha namorada”)tenha feito este “Grande Muralha”(The Great Wall) ora em cartaz internacional.
                O filme é vendido como o mais caro feito na China. E é mesmo um blockbuster de Hollywood  Não à toa a presença de Matt Demon, nas primeiras cenas barbado, fazendo um europeu de fala inglesa que busca pólvora na China de um passado distante, logo barbeado pois é com a cara do jovem “perdido em Marte” que vende o espetáculo.
                Um apanhado de sequencias de batalhas entre chineses e monstros que atacam a muralha do titulo, com muitas personagens fabricadas em computadores, preenche pouco mais de hora e meia (e isso é uma vantagem pois seria um saco ver o filme com mais de duas horas de projeção) , enche a tela. Chega a haver um flerte entre o tipo encarnado por Dammon e a guerreira Lin Mae(Tian Jing). Mas nada às ultimas consequências. O engraçado é que Williamm (Demon)é um americano que salva chineses preferindo lutar ao lado deles a fugir com o colega Tovar (Pedro Pascal) levando pólvora em mochilas. Nada convincente como as próprias lutas onde chega a se ver um embate aéreo com mocinha e mocinha dependurado em balão castigando os inimigos de cima para baixo.

                Zhang Yimou tem 65 anos e no currículo 61 prêmios por 30 filmes. Não é o bastante para sua ambição mais comercial que estética. O problema é que este seu espetáculo de agora vai mal nas bilheterias americanas. E foi feito para faturar por lá. Ganharam os monstros. Perderam os espectadores.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O Apartamento

Candidato  ao Oscar de filme estrangeiro, “O Apartamento”(Forushande/Irã,2016) é mais um filme denso do diretor de “A Separação”, Asghar Farhadi. No roteiro um casal se muda para o pequeno apartamento de um amigo quando o seu está prestes a desabar. O problema é que o lugar havia sido ponto de uma prostituta e a esposa do novo habitante é atacada por um homem que procura sexo. O marido dela, ator e professor, encontra o sujeito e se vinga. Um drama familiar que é tratado numa linguagem simples, com excelente direção de arte, e desempenhos corretos de atores como Sahab Hosseini e Taraneh Alidoosti.
Espanta quem sabe da censura existente no Irã, onde as mulheres muçulmanas não tiram véu da cabeça, com a trama avança em dramaticidade que não deve ser de agrado do regime dos aiatolás. Mas assim como em “A Separação” Farhadi vai fundo no enfoque de pessoas simples de famílias bem organizadas. E desta vez faz um paralelo entre o que se passsa na vida de um ator com o que ele faz no palco em uma peça norte-americana. Um close de Hosseini se maquilando para entrar em cena no teatro, depois de ter submetido à tortura o homem que quase mata a sua mulher, é muito sugestivo. Ele, tido como pessoa pacata, está em vias de perder a esposa por quem tanto lutara e ver seu lar destruído como o foi na parte material quando foi obrigado a se mudar.
                Um bom filme que certamente só será visto aqui pelos investigadores da internet e/ou no Libero, a sala alternativa que está suprindo o belenense de cinema adulto.



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Jackie


“Jackie”(em cartaz em algumas salas de shopping fora de Belém) é o que certamente Natalie Portman esperava para bisar o Oscar (ela ganhou por “Cisne Negro”). Em tom documental o roteiro de Noah Oppenheim segue Jacqueline Kennedy nas horas que seguiram a morte do marido dela, o presidente John Kennedy, deixando sentir o pesar de deixar a Casa Branca que ela decorou pensando em passar ali  por dois períodos de mandatos do marido. O filme dirigido por Pablo Larrain centraliza a ação na viúva que mal pode esconder o desespero que lhe deixou o momento do atentado em Dallas quando JFK foi alvejado mortalmente. Quase toda a ação se passa entre paredes da mansão presidencial e a câmera usa e abusa da atriz,ora em plano-conjunto ora em closes, autorizando expressões que fogem de um esquema teatral no modo como se mostra adiante das câmeras.
                O filme não prossegue na historia de Jackie Kennedy, muito menos no fato dela, anos depois, ter casado com um milionário grego (virando Jaqueline Onassis).  Também não alcança o mapa de tragédias que a família Kennedy viveu, seja a partir do cunhado da personagem, Bob(assassinado pouco tempo depois do irmão) ,passando pelos filhos (o pequeno John, já adulto, morreria num desastre de aviação em que ele mesmo era o piloto). Dessa forma não interessa a capacidade de Jackie em “dar a volta por cima”. O que se mostra é o comportamento dela na hora em que deixava de ser primeira dama dos EUA. E Natalie Portman deixa que se pense numa vaidade acabada, no inconformismo da ainda jovem que perdera o esposo rico e famoso de forma brusca.
                Natalie toma conta do papel e chega a lembrar fisicamente o tipo que interpreta. Uma pena que o filme não chegue à Belém na versão original onde se possa ouvir a voz da atriz, expondo os tons de desespero. Eu imagino de como a dublagem deve transformar o quadro dramático num espaço cômico...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Moonlight

‘Moonlight, Sob a Luz do Luar”(Moonlight) encara corajosamente (em especial nessa era Trump) dois preconceitos : negro e homossexual. Com roteiro do próprio diretor,Barry Jenkins, trata de um menino, depois adolescente,depois homem feito(três atores), que sempre se viu “diferente” e por isso alvo de bullyng.Como ele é focalizado, nos diversos tempos da vida e no relacionamento com diversas personagens, a começar com a mãe que não lhe devota muitos cuidados e diz achar que ele “se safa de problemas”, é a métrica do enredo que deriva de um texto escrito por Tarell Alvim McCraney (uma peça teatral).
O filme não é apenas um desafio temático ou uma resposta dos autores ao olhar preconceituoso (e violento) de tantos de tantas etnias (pois há preto que trata mal preto e homossexual que critica parceiros de opção)_. É um quadro muito delicado de um (ou mais) problema. Vai no plural pois focaliza também a mãe prostituta, a miséria reinante, a violência que palmilha o quadro social.
Diz-se que Moonlight (Luz da lua) deriva de um conceito evocado pelo tipo vivido por Mahershala Ali que está na peça original: “Sob a Luz da Lua, Garotos Negros Parecem Azuis” . Não seria apenas uma visão homogênea da espécie mas um aceno poético por sobre um conceito racial. Ouvindo isso, o garoto Little (Alex Hibbert) poderia ser estimulado na sua busca interior, achando-se “diferente” sem aquilatar como ou por que.

Há momentos inéditos no cinema americano, como jovens e homens negros se beijando. Imagino como isso seria um escândalo na época do cinema em que brancos se pintavam de negros para certas sequencias filmadas. Agora mesmo vi uma comédia curta de Hal Roach com Harold Lloyd, feita em1920, que os negros eram pândegos. Há inclusive um garotinho negro brincando de fantasma. Por avançar no terreno do preconceito e por fazer um cinema artesanalmente interessante, “Moonlight” ganha lugar na história. Não é, por certo, o filme de grande plateia internacional, mas é o programa diferente que muitos pedem. E felizmente é lembrado para o Oscar embora não me pareça capaz de prêmios dos acadêmicos de Hollywood.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Aliados

                Vendo “Aliados”(Allied) a gente pergunta como Robert Zemeckis, diretor de sucessos populares (e de critica) como “Forest Gump” e “Naufrago”, foi se deixar seduzir pela historia de Steven Knight sobre um casal de espiões na França ocupada pelos alemães durante a 2ª.Guerra Mundial. Teria sido pensando em “Casablanca”, afinal o filme eleito pelos espectadores americanos como “o mais querido de todos os tempos”(ou o berço do que se chama “cult movie”) e no carisma de Brad Bitt aliado à Piaf do cinema, Marion Cottilard ?Também pesaria o fato de que Pitt se separara de Angelina Jolie a reforçar boatos de que a culpa esteve a partir das cenas amorosas do filme de Zemeckis, possivelmente emendadas com caricias fora das câmeras. Enfim, havia proposta comercial capaz de cobrir o custo de 80 milhões e a ousadia de filmar em estúdios como nos velhos tempos, usando uma direção de arte capaz a cargo do experiente Anthony Caron-Delion e mais o figurino de Joanna Johnston que é candidato ao novo Oscar. Mas não deu certo. O filme não chegou ao grupo de favoritos do box-office e a critica viu um diretor sem rumo numa historia banal.
                Pitt faz o espião canadense Max Vatan que se junta à experiente na resistência francesa ao domínio alemão. Marianne Beausejour(Marion Cotillard). Os dois chegam a matar muitos alemães inclusive uma autoridade numa reunião de cúpula. Mas há uma sombra levando a se pensar que Marianne é na verdade uma espiã nazista. E quando a situação engrossa a suspeita fica com o espectador a “torcida” se a garota (já mãe de um filho do colega) é mesmo “quinta coluna”(como se chamava simpáticos ao time de Hitler).
                O filme é desse que repousa no final. Conta-lo ao espectador é desmanchar o único prazer que ele traz. Digo único pois ninguém funciona a contento. Pitt está apático. Marion tenta impor seu tipo(e está acima da linha baixa) e o roteiro acadêmico não estimula até que alcance a suspeita de quem é quem na historia.
                Creio que Zemeckis foi vitima de uma ambição advinda do que se desejava nos antigos estúdios, na época que se retratou em “Barton Fink” onde tudo era armado pela “fabrica”em função de quanto cairia no gosto de grandes plateias. Chega a ser percebida a influencia de “Casablanca”. Mas falta Claude Rains expondo cinismo até quando anuncia amizade com Bogart (cena que muita gente achou uma cantada homo).

                “Aliados” só ganha circuito de shopping em Belém porque a produção ainda espera receptividade no “resto do mundo”. Quem admira Zemeckis deve sentir que a coisa ficou insuficiente. Tanto que a gente pensa como Brad Pitt se comportaria numa ilha deserta como Tom Hanks. No caso a bola de vôlei que Hanks fazia de Sexta Feira na lembrança de Robinson Crusoe seria objeto de masturbação. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Ainda La la land


                O primeiro plano de “La la land” traz a logomarca Cinemascope abrindo o quadro como se fazia quando a lente de Henri Chretién entrou na moda após o logotipo da 20 Century Fox(que comprou o invento francês). Com isso o diretor Damien Chazelle diz que seu filme tem a ver com o passado da indústria cinematográfica norte-americana. E passa a focalizar um numero musical a partir de um engarrafamento na ponte que leva a Los Angeles. Dali se apresenta o casal interpretado por Emma Stone e Ryan Goslin, ela pretendendo entrar para a Warner Bros, ele sonhando com um bar onde não só toca jazz em piano.
                A base da construção do filme passa pela conversa de Sebastian(Goslin) com um jovem de uma banda de jazz. Este reclama que o moço do piano só toca jazz antigo, que deve pensar nos jovens, no novo meio de expor o ritmo. Por aí passa o filme de Chazelle. A maior parte de sequencias é de musicais clássicos de Hollywood, inclusive a construção de imagens como na sequencia em que se dança sobre um cenário de céu azul a lembrar Astaire e Caron em “Papai Pernilongo”(Daddy Long Legs). Esta porfia pelo que fazia Stanley Donen, ou Vincente Minnelli, esbarra no realismo que os tempos modernos exigem para se “acordar da fantasia”.É assim que os amantes não encerram as suas deixas com um beijo à maneira de Kelly & Caron em “Sinfonia de Paris”(Na American in Paris). O que se vê é a mãe da família, casada com um estranho nesse ninho, assistindo ao velho amor no piano de bar de onde ele a vê e faz um gesto de quem sofre calado o desvio de seu romance. Para se chegar a esse “bad end” há uma profusão de planos dos namorados de ontem em seu auge de caricias (planos já vistos e lembrados em “machine gun cut”).Com este final, que fecha num aceno de despedida doloroso para os ex-amantes, o roteiro acrescenta que aquele cinema de musica e fantasia já ficou na memória de quem ainda via a tela cinemascope e não o panavision (a técnica que outros estúdios driblaram o monopólio).Só faltou fechar a cena em quadro menor e em preto e branco...
                Bem, “La la Land” me pareceu, numa revisão, um ensaio interessante sobre o cinema do passado, aquele das vesperais que alguns apelidavam de matinês. E com o cuidado de dizer que se cutucou memoria, até com musicas graváveis embora sem o charme de um Gershin ou Cole Porter .Não vejo como um “despertar” bem estruturado mereça tantos salamaleques como está recebendo. Mas reconheço que o que o jovem cineasta desejou ele conseguiu e esse desejo foi bastante criativo. Afinal, muitos que estão amando o filme de agora não viram os clássicos do passado. Penso até que essa influencia “genética”(os pais dos novos espectadores foram fãs de Kelly, Astaire. Cyd Charisse, Leslie Caron..._) seja um fato a considerar e quem sabe não passou pela cabeça do quase calouro (e certamente um admirador do cinema antigo) Damien. Só isto já basta para votar nele quando do Oscar. Muito mais a que o filme é candidato parece exagero.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Lion

Sunny Pawar não é candidato a Oscar de ator embora seu papel quando adulto, a cargo de Dev Patel (de “Quem Quer ser um Milionári”)seja, embora como coadjuvante(e é o principal). O filme chama-se “Lion” e o nome deriva de como se chama na tradução real o menor adotado pelos protagonistas Nicole Kidman e David Wenham,ela candidata num papel minúsculo. Bem, eu já disse mil vezes que Oscar não rima com lógica. Mas “Lion” é um bom filme. Narra linearmente o drama de um garoto indiano que se perde do irmão mais velho numa viagem pela ferrovia da região onde mora e, embarcando num trem, passa por diversos lugares virtualmente mendigando, até ser colocado como adotivo de um casal inglês. Mas o menino, depois rapaz, sempre desejou saber do irmão e da mãe. E na jornada para vê-los não importa se trata mal os pais adotivos.

                Bem fotografado em locações especificas, com edição acadêmica, o filme revela uma direção coesa do australiano Garth Davis e sempre interessa ao espectador. Naturalmente não resiste à uma analise realista pois ficam no ar indagações sobre o comportamento do garotinho de uns 10 anos no mundo cruel em torno (aqui seria logo violentado e morto). Mas é cinema, é ficção embora com base no livro biográfico de Saroon Bierley. Tomara que chegue aos nossos cinemas de shopping ou chegue a um alternativo (no caso só o Libero pois o Estação morreu) antes da entrega dos prêmios americanos. Pelo menos deriva na pauta em que gente como Ryan Goslin disputa vaga contra Casey Affleck, Denzel Washington, Andrew Garfield e Vago Mortensen. Todos superiores ao dançarino de “La la Land...”

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Estrelas Além do Tempo

“Estrelas Além do Tempo”(Hidden Figure) baseia-se no livro de Margot Lee Shaterley,afinal a produtora do filme. Allison Schroeder e Theodore Melfi cuidaram do roteiro e ao que dizem enxertaram ficção a ponto de tornar mais viável em termo de cinema-espetáculo a historia de 3 mulheres negras que trabalharam na NASA e uma delas foi a responsável pelo êxito do vôo pioneiro de John Glenn.
O filme dirigido por Theodore Melfi é candidato a 3 Oscar(filme, atriz e roteiro adaptado) e não se exime de uma linguagem linear que privilegia a odisseia de Katherine (Taraji P.Andersen), excelente matemática que por sua qualidade na matéria ganha posto no programa de vôo espacial que na época(1963)lutava para superar o feito dos russos que inauguraram a estada em orbita da Terra com Yuri Gagarin.
Não conheço o livro original e não sei, portanto, até que ponto entrou o preconceito com mulher negra na equipe de técnicos espaciais formada por homens brancos. Mas o argumento não fica em Katherine, chegando às amigas Dorothy e Mary Jackson, todas igualmente negras e estudiosas em contas & tecnologia.
A opção por uma linguagem cativante leva a critica ao preconceito racial e também ao papel da mulher numa instituição criada por homens. As atrizes dão bem o recado e o espectador sai do cinema crente de que se não fosse por Katherine o piloto da capsula Mercury, que ela chegou a conhecer e se mostrou simpático à sua atuação, teria queimado ao reentrar na atmosfera da Terra. Mesmo assim há suspense na hora da reentrada com o aquecimento do material ganhando limites do suportável.
Nada de obra-prima cinematográfica. Apenas um filme bem feito industrialmente sobre um fato histórico. No panorama atual da exibição comercial isto quer dizer muito. E surpreende ele chegar à Belém ganhando todas as sessões de uma sala do Cinepolis Boulevard em copia legendada. É para o fã agradecer de joelhos.



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Jackie

                Jackie Kennedy chegou a ser Onassis antes de morrer. O filme sobre ela detalhando seu papel no funeral do marido-presidente(John Fitzgerald Kennedy), não vai adiante na sua vida para alcançar a viúva que tentou manter status com um milionário grego de idade capaz de ser seu pai. Mas o roteiro do filme que ora concorre ao Oscar (principalmente na categoria de atriz),é pródigo na feição documental, mostrando como a jovem esposa enfrentou o assassinato do marido e a saída da Casa Branca que ela decorou com muito empenho.

                Impressionante o desempenho de Natalie Portman. Ela e Isabelle Huppert(por “Elle”) concorrem palmo a palmo ao premio máximo da categoria de atriz principal. Elas representam  o pouco que se leva a sério na nova corrida do senhor Oscar. A edição chega a mesclar planos reais com a fantasia. Outro prodígio que deve ser levado em conta. Pode-se dizer que o filme dirigido pelo chileno Pablo Larrain, é insuficiente na estruturação da personagem, mas o roteiro de Noah Oppenheim prefere ser documental(só o momento do enterro de JFK). E nesse ponto é intocável. E Natalie chega a ser até fisicamente parecida com Jacqueline, ou Jackie.  Oxalá o filme chegue ás telas comerciais de Belém, hoje, em plena época de Oscar,preferindo abrir espaço para vidas de cachorro...

domingo, 29 de janeiro de 2017

Lembrando Agostinho

Agostinho Barros, que eu conheci quando usava o sobrenome Barbosa da Silva, gostava de brincar com cinema. Começava com nomes de atores. James Cagney,por exemplo, ele chamava de "Jáme caguei". Mas eu às vezes entrava na piada. Um de seus "poemas" por exemplo, era: "-Eu dei um beijo no sovaco de uma velha, enchei a boca de pele deu vontade de eu vomitar.Por isso é que chamam gororoba já comi pirão de cobra com farofa de embuá". Eu "corrigi"para se declamar em roda elegante: "-Eu osculei a axila de uma idosa, enchei a boca de faneros deu-me impeto de regurgitar:por este motivo é que me chamam coquetel já ingeri soufflé de ofídio com farofa de miriápodes".
Sao muitas as piadas do Agostinho. Fazia rir os colegas do Colégio Moderno e meus familiares. Foi um verdadeiro padrinho de meu casamento. Ajudou muito o tímido estudante de medicina enfrentar obstáculos como visitar a namorada no interior do Estado viajando de avião. Ao meu medo respondia com uma anedota. Um exemplo de alegria que se foi agora certamente pedindo pata a gente não ficar triste, OK Agostinho, vou tentar não ficar.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Até o Último Homem

“Até o Ultimo Homem”(Haksaw Ridge) reabilita Mel Gibson no mundo capitalista que maneja o cinema americano. Com roteiro de Robert Schenkkan e Andrews Knight segue a trajetória real de Desmond T.Doss(interpretado por Andrew Garfield), membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, filho de pai veterano de guerra e mãe pacifica, que é incentivado a ser convocado para participar da Primeira Guerra Mundial como ajudante de médico. A condição é não usar rifle em nenhum momento, mesmo no campo de batalha.A meta é ajudar quem precisa.
         Gibson gosta de sequencias de violência (quem esqueceu “A Paixão de Cristo”?) e exibe muitas imagens de batalhas com todos os recursos que tem direito. Bons atores e boa montagem ajudam uma direção de arte que recria um conflito antigo. Mas há pouca substancia para enquadrar o jovem pacifista no seu programa de fé. Um jogo fatal de comportamento é escondido na amostragem de amigos de Desmond feridos e ele fazendo o possível para salvá-los. Parece não  haver tempo de se questionar o que ele faz e substancialmente por que faz.
         Certamente o roteiro não é destinado a liames introspectivos. O que interessa é um estranho religioso num ninho de violência. Com o cuidado de não fazer disso um sermão.
         Limitado, portanto, a um espetáculo bem conduzido, “Até o Ultimo Homem” dá o que a indústria pede de um cineasta (e ator)considerado capaz mas vulnerável a filmes ruins e coroando isso a cobertura da imprensa a assuntos particulares como um divorcio prolongado e caro(com a mãe de seus 7 filhos) e um flagrante de embriaguez na direção de um veiculo. Nascido nos EUA mas criado na Austrália, Gibson foi até o Mad Max preferido de George Miller. Com o novo trabalho para um grande estúdio e indicações ao Oscar, ganha alento. Não é o seu melhor trabalho como diretor, mas é filme acima da média que sai da fabrica de blockbuster.  


Desmond T. Doss (Andrew Garfield) é filho de um ex-combatente (Hugo Weaving), que o incentivava, assim como a seu unico irmão, a seguir seu caminho incentivar conflitos entre Doss e seu irmão e de violentar a sua esposa Bertha (Rachel Griffiths). A razão de sua bondade vem por corresponder aos preceitos da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que, acima de tudo, sempre se negou ao incentivo do combate entre homens. Pois a provação de Doss vem justamente a de rejeitar o uso de armas ao se alistar para ser um socorrista na Segunda Guerra Mundial, função que somente poderá exercer armado

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

La la Land

“La la Land:Cantando Estações”(La la Land) está sendo cultuado por um publico jovem e depois de ganhar o Globo de Ouro da categoria musical deve seguir em busca do Oscar com a mesma fome. Minha opinião fatalmente leva a lembrar os musicais considerados clássicos e comparar negativamente o trabalho do diretor-roteirista Damien Chazelle hoje  com 32 anos e apenas 2 créditos anteriores no longa-metragem, especialmente “Whiplash, Em Busca da Perfeição”. Obvio que seria uma comparação injusta, mas logo na primeira sequencia de “La la land” vê-se um engarrafamento numa estrada e os passageiros e motoristas dos carros parados saindo de seus veículos para cantar e dançar. Um momento típico de musicais como “Fama”(os estudantes dançando na rua) . Dá para pensar que o roteiro vai ser exclusivo dos espetáculos off-Broadway e todo mundo falar cantando como nas operetas da Metro. Mas não. Há um romance, e este romance pede licença para a musica como fazia Fred Astaire e Gene Kelly sem, naturalmente, pesar o quanto o casal Ryan Goslin(Sebastian) e Emma Stone(Mia) podem seguir seus modelos (ela foi a Sophie do pior filme de Woody Allen, “Magia ao Luar”/Magic in the Moonlight).
                Há uma historia tênue e números musicais nem sempre inspirados e bem colocados nos espaços de enredo. Um desses números, até pelo “décor”, lembra Astaire e Leslie Caron em “Papai Pernilongo”(Daddy long legs/1955). O fundo azul e os dançarinos mostrando seus passos é típico. Alias, é impossível tratar musical americano sem lembrar um tesouro que se fez especialmente nas décadas de 1950/60. Foi pensando nessas joias que me deleitaram tanto que achei que devia sentir o mesmo com “La la Land”. Mas não há clima, não há interpretes geniais nem novas peças de musica & dança. Eu vi o filme numa 2ª,feira e na semana seguinte já havia esquecido um bocado. Não compreendo a fascinação atual, com pessoas que amaram os encontros do pianista com a dançarina e um desencontro como uma nota perdida numa sinfonia sem amor.
                O filme só tem uma vantagem: deixa que se corra na prateleira de vídeo, ou num site especifico e reveja os musicais da velha Hollywood. Saudades palpáveis de Gene Kelly, Astaire, Caron, e agora mais ainda de Debbie Reynolds que dançou na chuva de Kelly & Stanley Donen, ela que se foi atrás da filha no final de 2016 .

                Sim, “La la Land” é um estimulo para a volta dos musicais. Isso é vantagem. Hiato nas invasões alienígenas, nos super-heróis, nos terroristas, no cinema vazio que solta-se com milhões de dólares e apela para quem é viciado em videogame. Por esse trunfo arrisco uma segunda visão.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Assassins

No meu tempo de garoto os seriados que se projetavam entre dois filmes C, ganhavam fãs na medida em que exibiam pancadaria. Tudo bem que os chapéus dos contendores não caíssem das cabeças. Bolas para a realidade: valia a coreografia das lutas e a meninada costumava dizer: “É bom porque tem porrada”. Isto me voltou à memoria quando vi este incrível “Assassin’s Creed” que os exibidores lançaram nas suas salas de shopping pensando em faturar muito.O roteiro, baseado em videogame (que eu desconheço) trata de uma quadrilha que guardava a maçã do Eden, aquela que Eva comeu e deu para Adão. Segundo essa turma, chamada de “assassinos”(e vem a etimologia da palavra), tem pela frente os Templários, aqueles que o espectador de cinema comercial conhece das historias de Dan Brown(a partir de “Código DaVinci”). Segundo este enredo, a maçã traz a”mola” do livre arbítrio e sem ela o homem mostrou valentia, ou violência.
                O filme dirigido por Justin Kurzel (que eu desconhecia), é produzido com muita grana, tem no elenco astros como Jeremy Irons, Marion Cottilard, e Michael Fassbender,mas é tão ruim que mete pena. Os atores pensando no salario caricaturaram tipos que não poderiam ser mostrado de outra forma.

                Sim, tem porrada. Ridículas cenas de briga em espaços modernosos a lembrar os de vilões de Superman ou Batman quando ainda eram vistos por aqui como Super Homem e Homem Morcego. Pode ser que os novos  gostem. Ainda bem que não vi a coisa numa sala gelada de um dos apêndices de shopping....

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Belém 401

 Nasci em Belém. Por sinal que fui um ovulo concebido na ilha do Mosqueiro que até hoje é Belém. Cresci, estudei, casei,tudo na capital do Pará. Dois prédios onde estudei persistem com poucas mudanças: o Colégio Moderno e a Faculdade de Medicina. A minha rua é que passou de São Jeronimo a Governador José Malcher, homenagem que sempre me pareceu usurpadora. Minha diversão preferida, ou minha arte querida, sofreu mutações estéticas não só na sua constituição. Nas ruas deixou uma Cinelândia em Nazaré, cedeu as casas edificadas para projeções por espaços de shopping, ou detalhe de conjunto de lojas. Mas aumentou o “cinema em casa”, das películas de 16mm (ou 8mm) para os vídeos que de estojos(VHS) passaram a discos(além de TV por assinatura). Nesse compasso eu tenho vez na mordomia do “cinema em casa”. Muito para quem tentou a mesma coisa com artefatos pesados em uma garagem onde projetava películas.
Hoje vejo Belém somar 401 anos. Do tempo em que via o edifício Manoel Pinto da Silva como “arranha ceu”, conto,do apartamento onde moro, mais de 50 prédios no ângulo visual. A vida violenta botou grades nas casas e bandidos fora. E houve quem passasse a morar em “poleiros”, prezando tranquilidade. A cidade cresce para cima. Mas ainda a vejo como o meu berço, o lugar que se edificou dentro de fora de minha memoria.

Parabéns Belém.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Melhores filmes dos leitores dde Luzia

1° - Aquarius (Kléber Mendonça Filho) – 96 pts
2° - A Chegada (Dennis Villeneuve) – 67 pts
3° - Café Society (Woody Allen) – 44 pts.
4º. 45 anos(Andre Haigh) – 39 pts
5º  TRUMAN, de Cesc Gay – 35 pts
6º O CLUBE, de Pablo Larraín – 33 pts
7º - CAROL (Todd Haynes) – 32 pts
8º A BRUXA, de Robert Eggers – 30 pts.
9º Agnus Dei(Anne Fontaine) – 29 pts
10 º  O FILHO DE SAUL, de László Nemes – 28 pts.






O Que Está Por Vir

                São muitos os filmes que tentam mostrar a mulher madura em crise existencial, seja pela descoberta da infidelidade do marido, seja pelo emprego perdido, seja pelo cuidado nem sempre retribuído por filhos maduros. Mas este “O Que Está por Vir”(L’Avenir) de Mia Hansen Love com Isabelle Huppert, salta bem as barreiras melodramática tão caras, no passado, a cineastas como Douglas Sirk, conseguindo sem sair de uma narrativa linear, dar a dimensão exata da sua heroína, a professora de filosofia chamada Nathalie, sem precisar do hermetismo de autores adorados pelos críticos.
                O filme consegue emocionar quase todas as plateias (há esnobes que o rejeitarão). E é mais um triunfo de Huppert, feito um ano antes de “Elle”(de Paul Vehoven)por onde ela ganhou o Globo de Ouro deste ano. A atriz consegue dar a dimensão necessária a fixar o drama de sua personagem. E o filme, com roteiro sábio da diretora, não encerra com meios artificiosos de arranjar as coisas. Nem apela para o grand finale. Há prudentes reticencias a dimensionar o enredo. E nunca é demais focar Isabelle demonstrando tristeza, alegria ou fingimento. Não é toda atriz que consegue isso.

                Um belo filme a ser visto já pois deve figurar entre os melhores do ano que ora começa.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A Qualquer Preço

                “A Qualquer Preço”(Hell or High Water) é um western moderno. Os bandidos são os mocinhos e o mocinho tradiconal é um xerife rancoroso que persegue irmãos bandoleiros que lutam para manter a possa do rancho da família.  Vendo o filme o espectador fica torcendo pelos manos fora da lei embora saiba que o roteiro de Taylor Sheridan não vai poupar pelo menos um deles.
                O diretor David Mackenzie é um escocês com 21 prêmios internacionais e por aqui só conhecido por “Paixão sem Limites” (Asylum) e “ Sentidos do Amor”(Perfect Sense). Ele consegue excelentes desempenhos de Ben Foster e Chris Pine (os irmãos), mas dá uma das maiores chances ao veterano Jeff Bridges, este ano candidato  a Globo de Ouro e possivelmente ao Oscar de coadjuvante. Ele faz o xerife Marcus Hamilton, um aposentado que mesmo assim  persegue os irmãos criminosos como uma questão pessoal.
                No novo western carros substituem as diligencias mas as balas soltam-se da mesma forma que antes e o rancor preside a ação. No fundo é a luta pela propriedade, o amor à terra natal, a feição menos justificada de justiça (eu lembrei do apartamento que a idosa pernambucana luta para manter na sua herança em “Aquarius”).
                Um filme dinâmico, bem feito, com admirável cor local, que foi feito por produtores independentes e, segundo se diz, em poucos dias. Chegar por aqui deve ser um desses milagres que só cabem na faixa de prêmios de Hollywood. Se estrear, aproveitem.

                Em tempo: Martin Scorsese e Ridley Scott, dois veteranos respeitados, disseram este fim de ano que o cinema de vulto que se via no passado não existe mais. Partindo deles é um tiro nos heróis da Marvel. E eu penso que é por isso que tenho ido pouco a cinema comercial.