segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Palhaço o que é ?

No caso do filme de Selton Melo não é o ladrão de mulher do refrão brasileiro. É um artista de picadeiro que não pode sair de seu estreito cenário de trabalho. Quando se enjoa de fazer graça para os outros (e cadê uma graça de vida?) resolve pular fora. Mas o mundo além das arquibancadas de um circo não é uma piada. É uma lamúria. E logo o palhaço descobre que é melhor ficar rindo da desgraça alheia do que compartilhar com essa desgraça.
Taí uma boa idéia para cinema. Carlitos ao rever a ex-ceguinha a quem ajudou com aventurosos recursos não esconde uma lágrima entre um sorriso forçado e uma flor na mão. É difícil mostrar a imagem da pessoa por trás de um Fígaro. Melo foi inspirado mas daí para uma produção correspondente a distancia machucou. Que circo é o dele, apesar de receber o nome de Esperança, que se mantêm só com dois palhaços? E que diabos a menina Manuela (não é este o nome dela?) encarna a própria esperança finalizando o filme num passeio do exterior ao picadeiro, seguindo a fonte de luz, aludindo à imortalidade, ou renovação, da alma circense?
Estremeci na poltrona. Saiu ridícula a apoteose de um programa curto, sem ritmo, que se conseguiu dizer o que se queria não conseguiu fazer sentir o que desejava que se sentisse. “O Palhaço” é um exemplo clássico de frustração. Doída porque o tipo pode representar o termômetro da sensibilidade humana, arrancando o riso de um espasmo de dor.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Cartazes da Semana

Tenho cinema perto de casa (shopping Boulevard), mas ainda assim acho incômodo ir até lá. A rua por onde vou tem postes no meio da calçada que obrigam o transeunte a passar na frente dos carros (que pouco respeitam pedestre). E só se entra na sala de projeção em hora certa. Nada de ver fim de filme. Lembro de que se fazia borderô em papel impresso pela Embrafilme & Concine. Agora a renda de cada sessão segue em computador até para a matriz da distribuidora (quando for o caso) em Los Angeles. E ainda tem o ar condicionado descontrolado. O frio é polar.
Mas não deixo de ver filmes em tela grande. E vejo muita bobagem. “Atividade Paranormal 3” é um logro. Os produtores querem que a gente pense que as imagens foram gravadas em câmera digital por um personagem. Mas há cortes, há planos diversos. Quem maneja a máquina?O fantasma da história? Por sinal uma história boba que se estende por quantos filmes o público peça. Assustar é uma arte. Logro também. Assustar logrando é arte dupla.
“Gigantes de Aço “ troca o boxe de estrelas como foi Joe Louis por robôs. O gênero deu filmes marcantes e eu cito sempre, na cabeça, “Punhos de Campeão”(The Set Up) de Bob Wise (1949).Mexendo lata não se diminui o instinto bem humano pelo ato violento. A platéia torce pelo robô do herói, um pai que recebe o afeto do filho através dos bonecos brigões.
Sabe-se que criança adora brinquedo como os Transformers. Spielberg, produzindo isso, alimenta a sua conta bancária. E o diretor Shaw Levy não tem currículo apreciável. Seus “Uma Noite no Museu” são constrangedores. O pior é que o enredo se inspirou num curta escrito por Richard Matheson para a série “Além da Imaginação”. Ele não foi citado. Não creio que tenha reclamado. Um currículo em que se conta “O Incrível Homem que Encolheu” não precisa de “reforço” como estes gigantes barulhentos.
No mais, “Os 3 Mosqueteiros” que brigam no ar (caravelas voadoras) e uma jóia na lama da programação: “Contra o Tempo”. Este bom filme do jovem Duncan Jones (de “Lunar”) conversa com a inteligência de quem vê. É imaginoso e aí está o estimulo para se ir ao cinema hoje em dia. Mesmice não paga sair de casa onde um bom DVD está sempre à disposição.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Tempo de Círio

Vi mais um Círio. Pela primeira vez de um ângulo que mostrou o “cotovelo”do Boulevard Castilho França com a Av. Presidente Vargas, cenário que dimensiona a multidão de devotos. Justificou o que ouvia desde crianças quando a referencia para muita gente era : “parece o Círio”.
A mídia local (jornais,rádio e TV)cobriu bem a tradicional romaria. O resto do país, especialmente o sudeste, calou (ou se falou foi cochichando, não ouvi). Não é novidade. Se acontecesse uma tragédia daria manchete. Mas a santinha não deixa que isso motive os que só se lembram da gente quando abrimos canal para a morte.
No cinema, meu terreno, lembro de quantas vezes o Círio foi registrado. Tenho cópia em DVD do que me parece um dos primeiros filmes longos em que aparece a berlinda e o povo acompanhando: o inglês “O Fim do Rio”(The End of the River/1947) com Sabu e a jovem Bibi Ferreira. Tempo em que se andava de roupa branca (paletó) e chapéu de palha. Herança do figurino inglês. E depois disso os estrangeiros só voltaram no absurdo “Os Bandeirantes” de Marcel Camus onde se aludia a uma ferrovia ligando Pará ao Ceará. O mais foi prata da casa. Libero Luxardo dava a sua de Hitchcock aparecendo nos dois exemplos de sua autoria: ”Um Dia Qualquer”(1962), hoje uma lenda, e “A Promessa”(1974) episódio de “Brutos Inocentes”.
No rol dos longas eu acho interessante o “Iracema”(1974) de Jorge Bodanszy até pela fala de um policial que ao ser entrevistado sobre o que está achando do Círio daquele ano ele diz, consultando o relógio “São 9 horas e já estamos chegando na avenida Nazaré” como quem acha que a multidão está correndo.
Ainda falta “o filme” sobre o Círio. Sei que nos idos de 1924 exibiram “Os Milagres de N.S. de Nazaré”, produção de um anônimo que mostrou Plácido achando a imagem e a lenda de que ela voltava para o galho da árvore onde foi achada quando lhe tiravam do lugar. Procurei muito este filme. Achei quem o viu, não quem trabalhou nele. Isso mostrou que não foi um sonho . Algum mascate rodou seu cinematographo dramatizando um tema.
O mais é como as salas exibidoras da cidade se comportavam durante a festa. Festivais, brindes, teatros, o arraial no centro da praça. Não é uma rendição à nostalgia mesmo porque eu detestava o fato de brigar por uma poltrona nesses espaços. Mas havia mesmo uma festa de 15 dias. Agora é de um. Hipertrofiada nesse um.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Em DVD

Na falta de filmes interessantes nos cinemas mergulhei no DVD e vi muitos títulos em um final de semana. Tento resumir o aspecto critico de cada um.
“Um Novo Despertar”(The Awake) tem Jodie Foster dirigindo e atuando. Coincidentemente(ou não) traz um Mel Gibson na fossa. O ator-diretor passou por uma crise ao ser flagrado dirigindo bêbado. No filme de Foster ele é um deprimido. Tanto que se apóia num bichinho de pelúcia por onde passa a se expressar. “Castor”é o que um boneco foi para Danny Kaye em “Cabeça de Pau”(Knock on Wood) de Mai Zetterling. Esse trampolim para o mundo em volta pode ou não dar certo. O filme não vai muito dentro do terreno psicológico. Mas é interessante porque Gibson está convincente, como se ele próprio estivesse precisando de um castor.
“Hotel Atlântico” de Suzana Amaral tem razões que só a razão dela conhece. Não entendi porque o herói da história volta a um cenário depois de bancar um sofrido e mutilado andarilho. Baseado em um livro, com roteiro da diretora, é bem construído em termos artesanais, mas a trama é confusa. Só Suzana pode dizer se tudo o que se viu foi verdade ou imaginação do personagem. Nem Bergman nem Antonioni vagaram tão aereamente sobre um ego sofrido.
“As 3 Máscaras de Eva”(The Three Faces of Eve) ainda hoje convence. O caso real de múltiplas personalidades foi tratado por Nunnaly Johnson (mais roteirista que diretor em termos de carreira) como um documentário. Joanne Woodward convence sempre. Na realidade Eve (Black, White )não desapareceriam quando surgiu Jane, o equilíbrio dos comportamentos. Depois do filme a paciente voltou a ter as suas crises e morreu. Não importa para a realização cinematográfica. O caso espanta e vence as limitações do cinemascope, processo impróprio para um tema introspectivo, a exigir planos próximos.
“2 Semanas de Prazer”(Holiday Inn) nunca me deixou prazer. É uma chatíssima porfia romântica entre um cantor (Bing Crosby) e um colega dançarino (Fred Astaire). Das musicas de Irving Berlin destaca-se “White Christmas”. O diretor Mark Sandrich perdeu a verve mostrada em “O Picolino” (Top Hat) 6 anos antes.
“O Maior Amante do Mundo”(The Greatest Lover of the World) só fez um bem: tirou do cinema o chato do Gene Wilder. Lançado por Mel Brooks este comediante fez rir em momentos de “O Jovem Frankenstein”e no “Tudo o que V. Quer Saber sobre o Sexo” de Woody Allen. Aqui, dirigindo a si mesmo numa paródia aos filmes de Valentino prova que seu tipo de humor é um blefe. O filme foi um fracasso comercial.
“Jovem no Coração”(Young at Heart) escapou de bisar o titulo em português quando foi lançado o filme da Warner com Dóris Day e Frank Sinatra. É uma comédia de 1941 em que Janet Gaynor faz parte de uma família de trambiqueiros que tenta se aproveitar da bondade de uma senhora solitária e aparentemente rica. Um bom elenco (Gaynor, Douglas Fairbanks Jr, Roland Young, Paulette Godard), uma direção de arte do mestre William Cameron Menzies, uma produção de David O. Selznick, só dançando no diretor Richard Wallace, fazem a festa. Não é um exemplo muito feliz de um gênero em um tempo. Mas diverte.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Cinegrafista Pioneiro

Rubens Onetti, falecido semana passada, apareceu na TV Marajoara filmando em 16mm. Surgiu quando Fernando Melo atendia aos amadores como eu e se associava a profissionais como o seu amigo Libero Luxardo que lhe emprestou a casa para ali fazer uma oficina (onde consertava projetores e revelava películas). Foi nessa época que eu conheci o Onetti. Época em que eu ia pegar filme na TV com o Roberto Jares e o Sobral para passar no meu Cine Bandeirante (mais as chanchadas da Atlântida).
Onetti filmava para a a TV e aceitava encomendas de festas familiares, nos passos do que fez antes o Milton Mendonça e o próprio Libero. Mais tarde ele foi para o jornal “A Província do Pará”. Eu mantinha a coluna de cinema onde fiquei de 1966 a 2001. Creio que só o fim do jornal afastou a gente. Onetti foi para “O Liberal” e eu fiquei zanzando, hoje com este blog e com “A Voz de Nazaré”.
As noticias sobre o falecimento do “cinegrafista”(dizia-se assim de quem fazia documentário, hoje tudo é cineasta-felizmente) não mencionaram a passagem dele pelo cinema. Mas foi importante. Ele chegou a fazer filmes sobre certos temas, que eu não cheguei a ver, mas soube da existência em uma conversa que tivemos no Mosqueiro.
Com RO fechou-se mais um capitulo da história da cinematografia local. Creio que a turma que filmava em 16mm ou 8mm (os profissionais enveredavam pelo 35mm) já está inteirinha no passado. E seus trabalhos? Os filmes do Milton foram em parte salvos por seus familiares e hoje estão no MIS. Os de Luxardo, a maioria se perdeu. Do pessoal do Super 8 creio que as relíquias ou estão com descendentes ou se deterioraram. Lembro que nos anos 70 a Luzia, na Embrafilme, fez um festival de cinema amador aqui em Belém. Cobria a região amazônica. A gente não pensava em preservação. Uma pena, pois tudo o que se viu representava peças da história corrente.
Transmito meus sentimentos aos familiares e mais amigos de Rubens Onetti. E naturalmente a quem fez ou viu cinema regional nos anos 60/70.

Dois Falam de Um

DIDI , PARA OS ÍNTIMOS
Luzia Miranda Álvares
luziamiranda@gmail.com
A Família Miranda (Abaetetuba e Igarapé Miri) tinha o dia 3 de outubro como uma data importante: aniversário da matriarca Gertrudes de Miranda Maciel (ou Mocinha) que ainda sob o peso da adolescência, teve que cuidar dos oito irmãos órfãos de pai e mãe falecidos numa distância bem curta – entre seis meses um do outro. Essa data se manteve também como marco das eleições, porque os meus familiares tinham sempre nas veias uma forte tendência para a luta política ou de divulgação dos seus candidatos. A pé, pelas ruas da cidade, ou de canoas a remo, pelos rios do interior, minha mãe ou meu pai nos incluiam nas suas “caminhadas” distribuindo cédulas eleitorais dos seus escolhidos, em busca de votos, culminando na data-símbolo festejada nas próprias cantigas criadas para o dia. Outra menção é para o navio que nos trazia até Belém, o “3 de outubro”, um “gaiola” de luxo que circulava através da linha do Tocantins, incluindo Abaetetuba onde aportava também.
A mudança de ambiente, da cidade pequena para a “grande” e de status civil, de solteira para casada, me fez inserir, no calendário de efemérides, outro marco para a data: o aniversário do Edwaldo Martins, jornalista que foi se incluindo no nosso meio de amigos de cinema e permaneceu entre os “mais chegados” (como referia) até sua “passagem” para outro plano de vida. Já conhecido do Pedro Veriano ainda solteiro, frequentava o “Cine Bandeirante”, mas, desse tempo não guardo lembrança. No avanço das mudanças, entre as sessões de cinema e os banhos de piscina com o mesmo grupo, a cada dia ele marcava a sua presença nas feijoadas e churrascos dominicais. E para ficar. Era também o tempo do barzinho onde nos reuniamos (o Corujão, o Garrafão, a Tonga, a Pop’s) para curtir um final de sábado, após uma sessão de cinema, ou os festejos coletivos de um aniversário (cada qual paga o seu e do aniversariante), ao tradiconal dia de Natal quando ele se transformava porque eleito na ocasião em secretário efetivo da então APCC para anotar o lugar dos filmes que cada sócio-eleitor relacionava nas suas listas. Sua presença era significativa e importante nessa função. Mas esse procedimento não era uma simples anotação do Didi: era acompanhada de uma frase chistosa quando o tal filme escolhido por um de nós era, para ele, “muito cerebral” ou se caia no desinteresse pelo tal diretor que ele achava sem pendores para a arte ou fora de seu gosto. Esse era o momento-chave de nossos encontros que hoje não temos mais, pois, o Didi era especial nas suas frases mordazes sobre as escolhas e seus eleitores. O que mais ele impinimava era na contagem dos valores, se era para os dez títulos ou dez lugares.
Da “Vila de Satanaz” (a casa dele na Braz de Aguiar), à Cova dos Monstros (a garagem de casa, onde ficava o “Bandeirante”) ou na “Casa do Pavor” (casa da Lana Gomes da Silva), a turma (mais chegada) da APPC, àquela época em que se reunia, vivia de graça os encantos do Didi. De suas viagens ao exterior, ao chegar, ele fazia a roda para contar as novidades e os lugares “de cinema” que tinha visitado. Sua emoção: curtiu um fim de tarde na Piazza de São Marcos, em Veneza, com uma orquestra tocando “Summertime”, a exemplo do filme de David Lean que ele amava. Falava da “Mariazinha” (Marilyn Monroe) de quem tinha um poster gigante à porta de seu apartamento. Distribuia cartazes de filmes de Chaplin e de outros, àquela altura, muito difíceis de encontrar no Brasil. Foi ele quem me deu a noticia da morte do ator-diretor-autor, com a voz embargada e sabendo que Chaplin era um dos meus mais queridos.
Um grande débito devo ao Didi: ele avalizou, junto a Rômulo Maiorana, a minha escolha para escrever sobre cinema, em “O Liberal”, no final de outubro de 1972, coluna batizada por RM como “Panorama”. Ele foi comigo na visita ao “italiano” e fez minha apresentação. Esse foi o meu primeiro emprego público. Desafio para mim e para o que eu sabia. Mas isso não invalidou sua insistência comigo para que o PV, a quem ele tinha uma especial admiração pelo estilo de crítica que este escrevia, assumisse a coluna após o fechamento de “A Província...”. Isso nunca foi em desrespeito pelo meu saber (dizia ele, “tu já tens a UFPA...”), mas pelo que ele considerava como um lugar cativo do seu amigo, no espaço da crítica de cinema em Belém.
Hoje, 3 de outubro, Pedro e eu resolvemos fazer-lhe uma homenagem, registrando seu “leva-e-traz” sobre cinema no tempo de sua presença entre nós, ele que hoje está “encantado”, no dizer de Drumond.
Beijo grande, Didi. (Luzia Miranda Álvares)

LEMBRANDO O DIDI

Na minha adolescência 3 de outubro era o dia de eleição e o nome de um gaiola, que fazia a linha do Tocantins (e por onde eu pretendia encontrar a namorada Luzia, acabando por me contentar com um teco-teco). Mas não demorei a acrescentar outra característica: era o aniversário do Edwaldo Martins, um garoto que montava uma página sobre cinema no jornal “A Província do Pará” competindo com que a sua colega Regina Pesce que fazia no outro jornal da cidade,”Folha do Norte”.
Edwaldo, mais tarde ganhando de minha família o diminutivo carinhoso de Didi, apareceu no meu Cine Bandeirante, a garagem que exibia filmes em 16mm, numa noite em que passava o neo-realista “Um Domingo de Verão”.filme italiano de Luciano Emmer. Lembro de que nesse tempo havia uma tumultuada greve de ônibus e alguna veículos tinham sido incendiados pelos grevistas. Mesmo assim o novo espectador viu a sessão e saiu corajosamente a pé no rumo de sua casa noutra rua.
Anos mais tarde eu era o critico de cinema de “A Província...” e tomava parte na Associação Paraense de Críticos Cinematográficos, nome pomposo criado por um grupo de amigos. Nos finais de ano o Didi era convocado não só para a escolha dos 10 melhores filmes do ano como para secretariar a sessão que acabava sendo uma festa natalina.
Por muito tempo Edwaldo contava os pontos dos filmes, resmungando, fazendo piadas do que se achava extraordinário e ele, muito prático, concluiu que aqueles títulos cabeça “não balançavam o passarinho”.
E não ficou por aí. Didi respondia presente em reuniões familiares, até em um réveillon com direito a banho de piscina, nesse ano trocando uma de suas reuniões sociais já que na época havia assumido a coluna especifica do jornal (e mais tarde de outro jornal, “O Liberal”).
Este amigo de muitas horas morreu cedo, desprezando os perigos de sua diabetes. Não preciso escrever que deixou uma cratera na lua de tantos. A última vez que o vi foi em seu apartamento, já com seqüelas da enfermidade. O cinema e o colunismo social abraçavam-se nas ironias do jornalista de vocação. Conseguiu concretizar sonhos como visitar a Piazza de s Marcos em Veneza e pedir para a orquestra de lá tocar “Summertime” como no filme de David Lean que ele adorava. E visiitou mais de duas vezes os EUA indo à calçada da fama, vendo as marcas dos artistas que desde criança admirava, chegando a ter a receber a “visita” de um furacão para lhe lembrar filme de John Ford.
Coerente sempre, seu filme predileto era “Mompti” com Romy Schneider e Alain Delon. Na primeira escolha dos críticos em grupo votou em “Rocco e seus irmãos” de Visconti. Dizia sempre que se devia votar, no fim de ano, em filmes exibidos nas salas comerciais e não nos cineclubes. Gostava de ver estrelas, ora...
Em cada 3 de outubro a lembrança de Edwaldo Martins fica mais forte. Não que ele se cultuasse. Era muito simples. Mas os amigos somavam muitos e não deixavam de prestigiar o seu natalício.
Neste calendário de saudade cito o Didi no espaço que me cabe. Ele manteve uma secção chamada “A Cara de Belém”. Botou muita gente mas esqueceu a dele, um bragantino que amava a capital do Pará. (Pedro Veriano)