sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Animação

Eu só aturo dublagem em desenho animado. Quando criança decorava as falas traduzidas por Braguinha (João de Barro) e Gilberto Souto. As canções de Cinderella me pareciam ótimas. E no tempo de colégio colegas discutiam o que, por exemplo, dizia Pinóquio e sua turma. Tanto que foi um vexame a redublagem de clássico Disney em DVD. O novo Pinóquio trocava “anêmico”(“Este menino está anêmico!”)por “alérgico”. Pior no musical “Melodia”(Melody Time). A trilha de Pecos Bill foi toda alterada e a graça de 1956 virou desgraça. Hoje eu gostei de ouvir “A Origem dos Guardiões”. Aquele papo de Jack com uma garotinha sobre os ídolos infantis foi genial. Criança precisa sonhar. Descrer cedo do Papa Noel é ser órfão depressa. Órfão de ideias. O guardião diz: “- Você esquece o sol quando ele vai embora e chega a lua ?” Pois é: o sonho é básico. E em cinema é a muleta da sensibilidade. Por isso meus melhores filmes são os que me tocam a nível de sonhos. E é a diferença que faço dos filmes chatos: estes não fazem sonhar, fazem dormir. Outro dia vi em DVD “O Mundo dos Pequeninos”, animação japonesa da turma do estúdio Ghibi. Imaginei como ficaria encantado com o filme se o visse aos 10 anos. Um universo de criaturas minúsculas, mas de anatomia humana. Uma espécie de Alices em país de maravilhas sem o terror imposto por Lewis Carrol. A gente, quando miúdo, quer encontrar mais miúdos, esses super anões que disputam com formigas os grãos na terra. O filme, com base num texto de uma escritora inglesa, podia estar competindo no Oscar da categoria este ano. Mas não tem cancha de enfrentar os donos de produtos digitais modernos. Ainda usa desenho quadro a quadro. E já me lanço a escolher os meus filmes do ano 2012. Não dispenso os que tratam do próprio cinema: “O Artista” e “Hugo Cabret”. Saudosismo à parte, elogio os cineastas que foram buscar inspiração na base de uma arte que virou mina de ouro.

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