quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Bacurau


                 Bacurau é uma aldeia (ou mesmo cidade) encravada no sertão nordestino (no caso Pernambuco)e que um habitante chega a definir sua geografia como “no cu do mundo”. Este deserto seduz estrangeiros que veem ali um veio de tesouro (não se define qual ou como). A reação que se faz entre esses estranhos e o povo humilde do lugar é palco de violência. E os pobres aprendem que a vitória consiste em resistir. Com armas nas mãos.
                O filme de Kevin Mendonça Filho e Juliano Dorneles ganha um caráter atual que leva o publico a se comover com o que vê. Afinal este é o Brasil de hoje, é a terra onde os humildes “podem morrer que não fazem faltas”. E ensina a predica que gerou a Revolução Francesa: ir à luta pela sobrevivência.
                Um esforço grande dos cineastas. Não só pela cenografia construída de forma a ressaltar metáforas como no trabalho do elenco (todo). Salta a veterana Sonia Braga como uma espécie de oraculo ofertando  “doces” aos “bandidos” como isca para ratos.
                O Brasil de hoje será composto de Bacuraus à espera de uma reação que o legitime como nação de todos. O filme enfatiza o desprezo aos humildes e ganha corpo quando se vê que em um museu estão as armas que os defenderá (valendo dizer que uma reação é coisa do passado que pode ser retomada se necessário). E há dezenas de metáforas. Os tipos usam camisas com dísticos em inglês, os gringos portam objetos nos ouvidos para identificar idioma, os que se revoltam se refugiam em buracos na terra, seguindo os tantos mortos que se vão somando, o herói da resistência é tido como bandido com estadia em prisão e um candidato a cargo eletivo é colocado no devido lugar de usurpados dos direitos alheios, deixado com mascara de palhaço e posto para fora de Bacurau (é melhor deporta-lo do que mata-lo).
                O filme vem sendo aplaudido até mesmo no exterior. Bom resultado para o Brasil de agora onde se define como nunca a dicotomia entre ricos pobres.

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