sexta-feira, 16 de outubro de 2009

ET SEM TELFONE

Os discos voadores estão se contaminando com as maracutaias terrestres. Em “Distrito 9”(District 9) um deles cai em Joannensburgo e derrama um bando de crustáceos bípedes, logo segregados em um gueto a quem os habitantes do lugar chamam de Distrito 9. Mesmo assim, há medo de um dia a nave espacial voltar e dar a sua de “guerra dos mundos”(talvez por isso não se veja nenhum telefone por perto). Quem se apossa da matéria é o telejornalista Van der Werwe, que se insere no meio dos alienígenas e na ânsia de se comunicar acha um deles chamado Christopher Johnson (isso mesmo!), um camarão que fala inglês, faz um engenhoso capaz de subverter a situação, e “contamina” o personagem de nome alemão que acaba virando um meio-cá-meio-lá.
Na história sul-africana há o Distrito 6, do tempo do “apartheid”. O nome Wickus van der Werwe chegou a ser popular antes de Mandela assumir o governo. Talvez espelhe um alemão deslocado do finado 3° Reich. A graça do roteiro ainda catapulta outros detalhes. Mas a coisa não chega a se rotular de comédia. No fim o barulho é de blockbuster standard. E não se diz que o preconceito é plenamente vencido ou vence. Peter Jackson na produção e o amigo dele Neill Blomkamp na direção não esgotam a idéia. Por sinal que eles iam fazer outro filme:”Halo”, do videogame bem vendido. Faltou financiamento. E surgiu este engodo de superprodução, ou seja, filme aparentemente caro quando não é, e de sátira política, onde a profundidade se esconde num pseudodocumentário sem muita graça.
Eu não gostei, embora tenha achado que o tema pedia coisa boa. Mas não é a primeira nem será a última vez que se joga no vaso sanitário boa idéia. Por isso os canos andam entupidos na industria cinematográfica internacional. (PV);

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