domingo, 3 de janeiro de 2010

VIDA DE CACHORRO

Diz-se que o cão não é o melhor amigo do homem, mas o melhor amigo do dono. São muitos os exemplos reais dessa amizade, incluindo-se o caso de um cachorro que se postou diante do tumulo de um cavalheiro que o criou e ali ficou até fazer-lhe companhia. No cinema, dezenas ou mais de filmes esboçam essa ligação homem-cão e chegaram a patrocinar franquias como as protagonizadas pela cadela Lassei (na verdade mais de um animal fazendo a personagem) ou Rin Tin Tin. Agora a industria cinematográfica norte-americana lembra Hachiko, um cão japonês que em 1924 deixou-se ficar numa estação ferroviária esperando o amo, que de habito chegava do emprego e lhe fazia festa. O homem, no caso, havia morrido. Mas sem saber disso, o cão esperou. E ficou velhinho esperando.Um fato que comoveu as pessoas de perto da estação e gerou uma estátua desse cão que ainda existe na cidade de Shibuya.
A história de Hachiko rendeu em 1984 um filme dirigido por Kaneto Shindo(de “Ilha Nua”). Hoje o ator-produtor Richard Gere refilma com o nome de “Hachiko, a Dog Story”, aqui chamando-se “Sempre a Seu Lado”.
Tudo bem que a amizade canina é digna de emoções e mereça alarde. Mas o roteiro de Stephen Lindsay dado ao diretor Lasse Hallstrom (de “Minha Vida de Cachorro”) é extremamente apelativo. Basta citar o final, quando se revê cenas do animal e seu dono no auge da amizade (e brincadeiras). Tudo a cores, quando as tomadas exibidas como visão do animal sejam em preto e branco, respeitando o fato de que os cães são daltônicos. Revendo com fulgurante colorido o fecho é para derramar lágrimas de espectadores diversos, especialmente dos que gostam de cães.
Nada contra uma história que exalta amor aos animais, que mostre a recíproca, vendo-se, no caso, um cachorro compartilhar de tal forma da vida do amigo que parece sorrir ou chorar (há closes do cão em seqüências oportunas que deixa essa sensação). Mas ainda assim pode-se diminuir gorduras melodramáticas e deixar cinema. Basta ser mais “seco” no tratar a trama. Creio que não precisa martelar momentos em que a amizade homem-animal é evidenciada. Se o objetivo do filme não fosse umedecer os olhos da platéia o tratamento seria outro. O mesmo diretor foi objetivo no seu filme de estréia, o citado “Minha Vida de Cachorro”, focalizando um menino que sentia pena da cadelinha russa Laika, a passageira do vôo sem volta numa cápsula espacial. Por aquele caminho não havia lamurias e sim a conscientização da perda de uma vida numa experiência cientifica, ou o “drama da cobaia”. Enfim, tenho um amigo que ama o seu cachorrinho e adorou “Sempre ao seu Lado”. Tanto que já está atrás de uma cópia em DVD.
Outro filme da semana foi o desenho “A Princesa e o Sapo”(The Princess and the Frog). Um Disney à antiga no processo de filmagem, ou seja, em 2D. Mas longe, muito longe, do toque poético que os antigos desenhistas e animadores davam a esses produtos. Aqui como em “Hercules”, dos mesmos diretores(Ron Clemens e John Musker), o traço é feio, a animação hiperativa, a edição confusa, a idéia original diluída em situações pseudo-engraçadas sem precisar de um toque poético que era a formula dos velhos assessores da firma.
Uma garçonete negra na Nova Orleans dos anos 20, pensa que um sapo é o seu príncipe encantado e o beija para seguir a lenda. Mas é ela quem vira sapo e não ele que vira gente. Ao casal sapo fica uma aventura com direito à intervenção de um crocodilo amigo, uma vespa também amiga, e caçadores humanos, todos vilões. O tempero com jazz procedia, mas até aí o filme perde com a dublagem para o português. Uma pena.
Outra estréia é “Xuxa em O Mistério de Feiurinha”. Princesas de histórias de fadas buscam a mascote na terra dos humanos. Quem viu “Encantada” ? É por aí.]
E resta “O Tempo é uma Ilusão”(It Happend Tomorrow), uma fantasia de René Clair em que se ensina que não se deve perscrutar o futuro (ele, a Deus pertence).Um jornalista (Dick Powell) que pode ler o jornal do dia seguinte acaba lendo a noticia de sua morte.Mas não é motivo para final infeliz. Tanto que começa com as comemorações da Bodas de Ouro do personagem e sua amada. Uma reflexão sem fazer doer, apenas pensar e... sorrir. (veriano@supridados.com.br)

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