terça-feira, 13 de setembro de 2016

Julieta

                Com “Julieta”(2016) Pedro Almodóvar se redime de coisas terríveis como o seu filme anterior ‘Os Amantes Passageiros”.  E para esta volta à forma se apega ao melodrama, gênero latino, especificamente de língua hispana, contando a historia da personagem-título, apaixonada e gravida de um pescador recém-viúvo e logo morto em uma tempestade marítima. A filha desta relação logo que pode foge do domínio materno e simplesmente some do enredo. Mas antes de sumir sabe-se dela quando Julieta encontra uma velha amiga numa rua de Madrid e esta lhe fala da jovem a quem não vê por mais de uma dezena de anos, agora é mãe de 3 crianças e não perecendo ter saudades da  infância. Julieta vive oscilando no relacionamento com um escritor e depois de muito tentar corresponder-se com a filha recebe uma carta dela com endereço de remetente. Ao invés de simplesmente responder a carta segue com o novo par ao encontro da garota. Bem, essas pessoas não estão flanando na tela. Todas sofrem. A mãe de julieta morre depois de anos de doença. O pai casa novamente e pouco se manifesta. A sogra de Julieta também morre. A amiga de sua filha vê-se com  incurável doença. O primeiro neto morre afogado. Enfim, não há um tipo na trama vinda de três contos de Alice Munro(“Ocasião”, “Daqui a Pouco” e “Silêncio”, todos no livro “Fugitiva”), que não chore por alguma coisa. Contrasta os dramas com a paisagem belíssima de beira-mar tratado em cores vivas como Almodóvar gosta que se mostre seus cenários.
                Não há um tom melódico acompanhando os dramas. Nem atores chorões. Quando Julieta prefere ficar morando em Madrid sem nem mesmo ir a Lisboa com o namorado, é como se dissesse que na Espanha o melodrama funciona melhor. E dentro desse gênero tão caro a filmografia de tantos cineastas hispano-americanos o novo filme do diretor mais evidente no novo cinema espanhol sai-se bem. Deve-se em especial à atriz Emma Suarez que faz Julieta adulta (ou idosa). Há quem ache ruim ela estar escrevendo à filha, na primeira parte da historia, contando tudo o que se vai ver. Mas melodrama não é cinema que se feche para o espectador matar cabeça analisando comportamentos. É o avesso da introspecção de Antonioni. O que se quer é que a trama chegue fácil e assim comunique com o espectador comum.

                Almodóvar não voltou a excelência de um “Fale com Ela”, mas fez um filme que se vê sempre com agrado. Eu gostei do que vi. É uma Julieta de Romeu perdido sem abdicar da tragédia shakespeariana. Valeu.

Um comentário:

  1. Gostei desse filme do Pedro Almodovar ja um dos melhores do ano para mim, depois do ultimo Amantes passagieros exibido por aqui, Almodovar voltou a velha forma

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