segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Agatha Christie no Cinema

 Agatha Christie em sua autobiografia trata do fato de ter ficado presa no Expresso Oriente quando o trem se deteve numa tempestade de neve. Ela tinha ido visitar o marido que estava numa escavação arqueológica em Nínive(o expresso fazia o longo percurso de Istambul a Paris). Aproveitando o tempo, escreveu a historia que deu origem ao romance “Assassinato no Expresso Oriente” inspirada não só num assassinato acontecido num dos vagões como no sequestro e morte do filho criança de Charles Lindbergh, o pioneiro da aviação, fato que comoveu o mundo ainda mais quando a empregada tida como a autora do crime havia se matado e também um outro suspeito já que a primeira pessoa havia sido considerada inocente depois de morta.
            O livro de Agatha deu dois filmes caros de Hollywood, um dirigido por Sidney Lumet em 1974 outro agora, em 2017 por Kenneth Branagh.  Revi o primeiro e vi o segundo. As deduções do detetive Hercule Poirot (no primeiro filme interpretado por Albert Finney e no segundo por Branagh) são apressadas para não dizer absurdas. E os filmes trocam a ação pela metralhadora de falas quando Poirot vai deduzindo quem é quem na trama. Tudo bem pois o original literário é moldado no pequeno espaço da ação. Mas a começar pelos interpretes a coisa não funciona. O melhor Poirot do cinema foi Peter Ustinov em “Morte sobre o Nilo”(1978) de John Guillermin(Ustinov chegou a ser candidato ao premio inglês de ator). Os dois de “Expresso...”são demasiadamente caricatos. Branagh usa um bigode pândego e Finney parece um boneco de corda.

            Não gosto dos filmes derivados do livro. Menos ainda do segundo. O melhor de Agatha Christie no cinema é “Testemunha de Acusação”(Witness for the Prosecution) de Billy Wilder em 1957. Não vi o bando de filmes com base em historias dela feitos para a TV. Mas não resta duvida de que a “Dama do Crime” é mina a explorar pelo cinema. Resta usar o entrecho em linguagem cinematográfica. E traduzir bem os tipos. Por sinal que não entenndi o Oscar dado a Ingrid Bergman no filme de Lumet. Penso que foi a forma da indústria cinematográfica norte-americana pedir perdão pela ofensa à atriz por ter vivido um romance considerado “proibido” com o cineasta Roberto Rosselini (afinal o que gerou Isabella, a filha atriz). 

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