segunda-feira, 11 de abril de 2016

Alvorada do Amor

                Na mostra que marca o 104 ° aniversário do cinema Olympia está o clássico "Alvorada do Amor"primeiro filme sonoro a ser exibido em Belém. Havia escrito antes o texto seguinte:

    Quando o cinema começou a falar imediatamente começou a cantar. A Warner maravilhava-se com Al Jolson cantando em “The Jazz Singer” e a Paramount buscou em Paris Maurice Chevalier(1888-1972) para cantar em “Alvorada do Amor”(The Love Parade/1929)  versão do musical ’O Príncipe Consorte”(The Prince Consort”) de Jules Chancel, Leon Xanrof e dos romancistas Guy Bolton e Ernest Vajda. Para a direção foi chamado o alemão Ernst Lubitsch(1892-1947) já conhecido de 52 filmes entre curtos e longos sendo 11 americanos(os primeiros foram rodados na Alemanha).
                Aqui em Belém “Alvorada...” inaugurou o cinema com som, deixando a honra da estreia para o Olympia precisamente no dia 30 de novembro de 1930. Interessante notar que a técnica chegaria primeiro ao cinema Moderno, no Largo de Nazaré, mas o programa foi marcado para o dia em que começou a Revolução de 30 e contam que a sala foi invadida por militares e alguns espectadores masculinos guinados ao quartel. Por sinal que o Moderno procurava fazer jus ao nome. No lugar viveu o Chalet, teatro onde Altino Britto Pontes exibiu um aparelho de projeção. Ficou portanto com o Olympia a honra de lançar a novidade técnica que empolgou seus frequentadores.
                O filme é uma ode ao machismo. O conde interpretado por Chevalier vive nababescamente em Paris quando é chamado para a sua terra natal (um país fictício) onde a rainha solitária sente dificuldades administrativas. Lá chegando ele, um conquistador inveterado, seduz a monarca e no fim ameaça deixar o reino ( e a amada) se ela não der a ele franco poder, limitando-se a ser uma “dona de casa”.
                Jeanette McDonald(1903-1961) estreava. Soprano que exibia a voz desde a infância foi a estrela das operetas seguintes a este “Alvorada..” Fez dupla com o barítono Nelson Eddy(1901-1967) em filmes do gênero como “Primavera”(o preferido de Jeanette),”Rose Marie” e “Canção de Amor”. Impressionante como em Belém os fãs eram muitos e lotavam os cinemas que exibiam esse tipo de filme e com essa atriz.
                Mas o conteúdo da peça que gerou “Alvorada..” hoje deve irar as feministas. Felizmente o chamado “Lubitsch touch”,ou o estilo do diretor, conseguiu fazer uma comédia divertida e ainda hoje capaz de provocar risadas em certas sequencias. Chavalier fez muitos filmes em Hollywood e na França, embora em seu país tivesse sido malvisto por ter cantado para os nazistas (e ele dizia que foi obrigado a isso para salvar algumas pessoas). Pena que um de seus bons filmes da ultima fase francesa hoje esteja esquecido: “O Rei”(Le Roi/1949)de Marc Gilbert Sauvajon.

Nenhum comentário:

Postar um comentário